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ARTIGO 4 - PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE CIDADE E MOBILIZAÇÃO SOCIAL

Cezar Wagner de Lima Góis
Doutor em Psicologia pela Universidade de Barcelona,
Professor de Psicologia Comunitária e Psicologia do Trabalho do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Ceará.
Assessor do Instituto Paulo Freire de Estudos Psicossociais, Ceará.


"Talvez o mais trágico na sociedade brasileira atual não seja a existência da desigualdade, da miséria e da violência. O mais trágico é a naturalidade com que todos nós convivemos com esta realidade", escreveu Margarida Vieira em um artigo intitulado "A banalização do mal" e publicado no jornal "Estado de Minas" (25/09/1995).

Romper com essa atitude exige assumir um lugar na história. Reconhecer que somos nós que fazemos a vida social, com nossas ações, nossas omissões, nossas permissões e nossas delegações.
Não negar isso é o primeiro passo para a construção de uma nação de incluídos, de sujeitos da realidade, e não de excluídos sociais.

Aqui, a essência é a presença ativa de todos nós em favor da construção de um espaço democrático, por que não dizer, então, de uma cidade democrática e de uma consciência democrática.
Lidar com a realidade não é algo fácil, nem tampouco difícil. Sempre foi, isso sim, algo complexo, instável, afastado do equilíbrio, incerto, só possível lidar pela aprendizagem contínua e mediante a práxis dialógica (ação-reflexão-diálogo). Nesse ato de fazer um mundo o individuo se faz, se humaniza com os outros indivíduos.

A humanização, aqui entendida no sentido de Paulo Freire, isto é, a consciência da própria incompletude e da capacidade de superar o permanente inacabado. Nesse ato reside a criação e a conscientização, o aprofundamento da tomada de consciência.

Por isso, o desafiar a realidade, o transformá-la, o fazer cultura e o desenvolver-se como sujeito da história, individual e coletivo, desde o pedaço de osso transformado em primeiro instrumento até ao mais novo instrumento - a internet. A consciência humana vem daí, do uso de ferramentas para transformar o mundo e de símbolos para comunicar-se e dar significado ao mundo. No recente e permanente ato de fazer e de simbolizar, se originam e se desenvolvem a consciência, o pensamento e suas funções de abstração, análise e generalização, além da idealização e do planejamento mental - a mente consciente - que nos liberta da prisão do imediato, do sensório-perceptivo, e nos arremete para o domínio da temporalidade, da imaginação e do futuro.

Vemos aí que, o ato de planejar, não é um mero ato de controlar, dominar e submeter tecnicamente a realidade aos interesses de grupos e de classes, mas sim um ato, antes de tudo, de construção da vontade humana de superação, de humanização e de convivência profunda com a realidade. É um ato de apropriação do mundo e de inclusão histórico-social do individuo, também em transformação, no próprio mundo em transformação.

No ato de se apropriar do mundo e de se incluir na realidade transformada as pessoas lançam mão dos instrumentos, dos conhecimentos e de suas experiências e habilidades, mas, cada vez mais, o essencial, como sempre foi, é a interação, é a comunicação, é o diálogo entre elas que, assim, se fazem cada vez mais conscientes, críticas, portanto, socialmente livres. Isto significa ocupar o seu lugar no mundo natural e no mundo construído, construir um espaço físico-social com sentido e entregá-lo melhor para as próximas gerações.

Vemos, então, que o ato de planejar se origina na consciência e a desenvolve. Sendo assim, é um ato comunicativo, dialógico. Nesse sentido, aprofundada a comunicação entre os pensares diversos, entre os diferentes, o ato de planejar tende a ser solidário e ético, portanto, comunitário.

Olhando assim, o planejamento é um processo profundo da consciência humana frente às suas próprias necessidades e as exigências da realidade objetiva, e que visa à humanização. Num outro sentido, todo planejamento é um pensar e um agir metódicos, direcionado para a construção de uma realidade desejável e possível (futuro), seja para um individuo, grupo, coletividade ou nação.

No caso do planejamento estratégico de cidade, por esses fundamentos do planejamento e por ser expressão de uma vontade coletiva, esse pensar e esse agir metódicos começam por um chamamento social e por uma proposta do Poder Público Municipal, no intuito de se construir uma visão coletiva de futuro desejável e possível para a cidade, futuro este problematizado na intersecção entre ecologia, sociedade e individuo.

Desse modo, ao falarmos de planejamento estratégico de cidade, e não de um plano, estamos falando de um processo coletivo de construção da Carta da Cidade (Horizonte político-ético), do alinhamento de ações estratégicas e da definição de projetos estratégicos, que toma como referencia a utopia da Cidade Democrática.

Aqui, a Carta, o alinhamento de ações e a definição de projetos, traduzem uma aproximação (possível) entre diversos atores que, também, em separado, pensam a cidade, conhecem a sua história e o seu modo de se fazer, um modo diversificado, com suas lógicas, linguagens e interesses, segundo os seus atores e a correlação de forças existentes a cada momento entre eles.

No processo coletivo de fazer a cidade do futuro é essencial um clima social positivo, a simbologia da cidade, a visão coletiva de futuro, as identificações e as vontades coletivas, um pacto político, ou seja, um fazer enraizado na história, na cultura, nas necessidades do povo, nas possibilidades e limitações, no sonho e no respeito à vida. Este pacto político é um pacto de amor à cidade, só possível mediante a prática democrática e a capacidade política de articular-se da gente da terra. Por isso a participação, a mobilização e o diálogo, a abertura e o respeito entre as diferenças - a responsabilidade social dos moradores da Cidade.

O fazer a cidade, além de ser uma ação técnica e política, precisa ser um canto de amor a terra, um canto tornado projeto, um projeto tornado canto, no qual o passado e o futuro se fundem numa vontade presente de se construir uma cidade democrática, uma nova base econômica (solidária), uma infra-estrutura urbana, uma melhor qualidade de vida (bem-estar social e psicológico), a integração social e a própria governabilidade.

No sentido de um plano, segundo Jordi Borja, o PEC "é a definição de um projeto de cidade que une os diagnósticos, concretiza atuações públicas e privadas, e estabelece um quadro coerente de mobilização social e de cooperação dos atores sociais urbanos."

Por outro lado, o focar estrategicamente a cidade significa, também, compreender que o futuro econômico dos países está sendo, cada vez mais, segundo o Banco Mundial, determinado por suas áreas urbanas, não que isso invalide a importância das estratégias de desenvolvimento do rural.

Na medida que o governo municipal exerce o seu verdadeiro papel, o de ser gestor democrático do desenvolvimento local, exercendo funções e assumindo recursos e poder que antes pertenciam ao Estado e a União (municipalização), aumenta a importância da gestão de cidades e o desempenho de suas economias. Por essa via, o Poder Público Municipal substitui o modelo de gestão centrada na prestação de serviços básicos pelo modelo de gestão centrada no desenvolvimento local democrático.

Segundo Ângela Griffin (2001), Gerente de Cidade na Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, assessora do Banco Mundial para a Gestão de Cidades, as cidades sustentáveis são: habitáveis, competitivas, financiáveis, bem-governadas e administradas.

Habitáveis - diz respeito à qualidade de vida, em termos de transporte, emprego, escola, lazer e serviços básicos para toda a população.

Competitivas - significa ser produtiva, um sistema de transporte que realmente funciona e não resulta em engarrafamentos de horas, assim impossibilitando a produção econômica; competitiva, no sentido de oferecer um ambiente que facilita o funcionamento das empresas, seja mediante o uso de regulamentos de planejamento e de construção de um ambiente onde as pessoas são atraídas a investir devido à qualidade da mão-de-obra e à qualidade de vida.

Financiáveis - não significa necessariamente conseguir grandes empréstimos, mas sim que há uma compreensão e conhecimento sobre as fontes de recursos, seja de impostos ou dinheiro do governo federal e de como esses recursos são usados. Financiável significa prudência e conhecimento de como e onde o dinheiro é gasto.

Bem-governadas - que promove a inclusão social e representação igual dos cidadãos, buscando objetivos comuns. Inclui a participação e a mobilização social na definição de rumo e no uso dos recursos.

Bem-administradas - capacidade de cumprir responsabilidades públicas de forma eficiente e eficaz, usando habilidades, conhecimentos, recursos e parcerias, mas principalmente utilizando os recursos para definir uma estratégia urbana em conjunto com todos os atores sociais.

A Gestão de Cidades significa, também, olhar mais fundo sobre a vida da cidade, entendê-la como um lugar imediato, dinâmico e vivo, um espaço sócio-ambiental próximo, onde as pessoas moram, se identificam, se encontram, amam, sofrem, sonham, trabalham, fazem cultura e, muitas vezes, nascem e morrem. Nele se dá toda uma rede de interesses e de ações locais, sejam sociais, políticas, econômicas, afetivas e simbólicas.

A cidade, por esse prisma, constitui-se um espaço físico-social privilegiado para a construção de cidadãos e básico para o desenvolvimento de um país. Um lugar imediatamente visível para uma participação social direta, afetiva e duradoura.

A cidade é a fonte da identidade social urbana, categoria psicossocial pouco considerada no planejamento urbano ou nas intervenções sociais e econômicas derivadas de políticas públicas e das necessidades próprias dos movimentos sociais locais, mas nossa experiência assinala que a identidade urbana exerce grande influência na direção, grau e modo de desenvolvimento de uma cidade, influi profundamente na construção de um pacto político que almeje uma cidade democrática.

A identidade urbana é uma identidade de lugar, é o sentimento e a noção que o indivíduo tem de pertencer a uma cidade que o faz e que por ele é feita, e de compreender esta relação como de integração e de diferenciação de si mesmo em relação a sua coletividade, implicando aí o significado histórico, cultural, valorativo e vivencial dessa pertença. A identidade urbana expressa a consciência do modo de vida do lugar e a capacidade de se apropriar desse mesmo lugar (físico-social). Esse tipo de consciência reflete, explica e transforma com intencionalidade a vida cotidiana do lugar, em seus aspectos geográficos, históricos, culturais, sociais, econômicos, simbólicos e ideológicos. A consciência do modo de vida do lugar implica uma atitude cognoscitivo-afetiva do sujeito diante de seu cotidiano urbano.

Por sua vez, a apropriação do espaço físico-social é o processo pelo qual o indivíduo interioriza e atribui significados ao seu entorno sócio-ambiental, no mesmo ato que transforma este espaço e é transformado por ele, mediante a ação-transformação e a identificação-simbolização.

Assim, cada indivíduo vive enraizado em um lugar físico-social que lhe identifica e é identificado por ele, desde sua habitação privada até o espaço público de sua cidade. Esse lugar, por sua vez, se encontra interiorizado, como atividade, vivência e significação. Ele constitui o campo de realização da identidade de uma pessoa ou de uma coletividade, um lugar de ocupação, de identificação, de pertença, de defesa e de desenvolvimento individual e coletivo.

Dentre tantos espaços urbanos existentes nos países do Norte e nos países do Sul, como estão os das nossas cidades brasileiras?

As estatísticas são reveladoras de um quadro de profundas desigualdades sociais. Mas, há também um potencial transformador e uma vida solidária.

Em nossas cidades vemos a alegria e a dor de uma coletividade, a sabedoria e a inteligência, a solidariedade, as experiências e as habilidades, as manifestações culturais, a beleza geográfica, os amores e risos, os equipamentos institucionais e sociais, o deslocamento de pessoas e veículos, as casas e os edifícios, as árvores e os pássaros, o ar e o clima, as águas e a lama, o solo, as ruas e avenidas, os espaços de lazer e de trabalho, as favelas e os bairros, a riqueza e a miséria, as relações de dominação, a fome dos que não tem e a voracidade dos que tem muito, as vontades e os desejos individuais e coletivos mais profundos e o brilho do olhar das crianças.

O crescimento desordenado das nossas cidades requer ações profundas, estruturais, que reorientem o rumo e o modo desse crescimento. Onde há miséria, há riqueza; os excluídos convivem com os que os excluem, mas, quando a pobreza se manifesta na quase totalidade do espaço urbano, é porque as diversidades ganham contornos perversos e degradantes.

A cidade brasileira, entendida como lugar de convivência afetiva e solidária, do trabalho e do lazer, das manifestações culturais e políticas, não pode continuar a ser palco de concentração de riquezas e tragédias anunciadas; não pode perpetuar o cenário da segregação, da ignorância e do desamor.

Para compreender tudo isso, no sentido da construção de uma cidade democrática, de uma São Luís do futuro, é preciso, além de um olhar político e de um olhar técnico, um olhar de poeta, como o de tantos que aqui em São Luís vivem ou que já viveram, bem expresso nestes versos:

"Cercada de águas e sonhos,
de glória, de maresia,
a ilha é sobretudo circundada
de Poesia"
Bandeira Tribuzzi

O que está na base da vida de uma cidade é o desenho afetivo-valorativo de um povo, de uma mentalidade cultural que, estimulada pedagogicamente, pode desenvolver-se referenciada, cada vez mais, na liberdade humana e não na escravidão.
Portanto, é na direção de um novo humanismo, biocêntrico, que devemos tender e, segundo Léfèbvre, pelo qual devemos nos esforçar, isto é, na direção de uma nova práxis e de um outro homem e de uma outra mulher, o homem e a mulher da sociedade urbana democrática.

"Se não podes trazer a alma das ruas,
De nada vale teres ido a São Luís."
Odylo Costa

Com permissão do poeta, podemos dizer que: se não podes trazer a alma das ruas, não é possível pensar o futuro de uma cidade que se quer democrática.

A Constituição Cidadã, constantemente desrespeitada pelo Governo FHC, consagrou a participação política da população no exercício do poder local. Hoje é consenso que "o aprimoramento das instituições e da sociedade como um todo passa indubitavelmente pela presença efetiva, afetiva e dialógica das comunidades, dos interlocutores sociais, nas tomadas de decisão" (Alcântara, 2001). Passa pelo poder local, passa pelo Poder Público Municipal.

Falar hoje de participação social e de mobilização social é quase um consenso, mas, mesmo assim, há muito que caminhar no sentido de sua concretização e consolidação.

Uma oportunidade é essa, que aqui se inicia: o chamamento social para um Planejamento Estratégico de Cidade Democrática, a ser construído e garantido pela participação social e pela mobilização social.
Entretanto, precisamos aqui distinguir participação de mobilização, sem negar a relação indissolúvel entre ambas. A primeira é uma condição intrínseca à atividade social significativa dos indivíduos, própria da consciência individual e em favor do indivíduo e de sua coletividade; enquanto a segunda é a condição criada coletivamente para que se garanta politicamente a participação social e o empoderamento por parte da população. A participação social está na esfera pública do indivíduo, enquanto a mobilização social está na esfera política da sociedade.

A participação e a mobilização apontam no sentido do desenvolvimento de uma sociedade que se quer democrática e este, aponta no sentido da participação e da mobilização, sendo um desenvolvimento que envolve toda a coletividade, cujas aspirações e necessidades são afetadas por decisões relativas à disponibilidade dos recursos e aos direitos sobre tais necessidades. Implica compartilhar o controle, a distribuição e o uso dos recursos e dos benefícios advindos. Significa, também, assumir responsabilidades e prestar contas desse desenvolvimento a toda a sociedade.

A participação e a mobilização são, também, valores democráticos, alicerces de uma cidade ou de uma sociedade que se quer democráticas.

O que dá sentido à mobilização social é a construção de um horizonte ético (segundo Bernardo Toro), um projeto de nação ou de município, como a constituição ou a lei orgânica de um município, ou mesmo a carta advinda de um pacto político pela cidade.

De acordo com esse autor, para criar e formar cidadãos, quer dizer, pessoas capazes de criar e fundar com outros a ordem social desejável para todos, só é possível se as barreiras do fatalismo e da desesperança sejam, pouco a pouco, desmontadas. O fatalismo acaba gerando e, de certa forma, justificando um certo cinismo, uma vez que por causa dele aceitamos conviver com situações que condenamos. Seu antídoto é o apelo ao compromisso, ao comportamento e aos valores éticos das pessoas.

Quanto à desesperança, é preciso trabalhar o conceito de cidadania nas pessoas mediante a sua participação social, despertar a capacidade empreendedora coletiva e os sentimentos de que elas são poderosas para produzir mudanças. Trabalhar significa facilitar um processo comunicativo gerador de entusiasmo, entendimento e cooperação.

O processo de desenvolvimento de uma cidade não é algo fácil de ser realizado, mesmo assim é vital como resposta aos novos desafios sócio-econômicos do mundo atual, especialmente os de integração comunitária dos mercados e das culturas locais, e os da exclusão social (desemprego e fome). Implica, de fato, na participação social local, processo este necessário ao desenvolvimento integrado e auto-sustentado, o qual não é meramente econômico, senão, fundamentalmente, humano. Um desenvolvimento que é humano, social, auto-sustentado e solidário.

Os conceitos de participação social e de mobilização social, hoje, são compartilhados por todas as pessoas que tem sensibilidade social e visão de futuro, por técnicos, poetas e políticos preocupados com o bem-estar social e com a nação, no sentido de povo.

"Participar, significa que las personas intervengan en los procesos económicos, sociales, culturales y políticos que afectan a sus vidas y que, de manera permanente, tengan la posibilidad de tomar sus propias decisiones.

En el marco de la cooperación para el desarrollo, la participación es un instrumento y al mismo tiempo un objetivo que convierte a las personas implicadas en sujetos de su propio desarrollo.

La suma de impactos de los proyectos y acciones de desarrollo en una comunidad son, o deberían ser, la expresión de la voluntad e iniciativa de sus individuos. El objetivo es que los resultados sean, además de efectivos, representativos de la voluntad colectiva." (Documentos Intermon, 1995: 23 y 24)

Reconhecemos a importância da participação e da mobilização locais como essenciais às estratégias de desenvolvimento de uma sociedade ou de uma cidade, porém ainda é necessário aperfeiçoá-las, inclusive na perspectiva de uma compreensão mais subjetiva da realidade local, da cultura local, isto é, ver que os lugares (territórios) são realidades profundamente humanas e simbólicas, sendo por isso um erro pensá-las somente em termos sociológicos e econômicos.

A realidade local possui história e cultura próprias, identidade social e de lugar, sendo formada por uma rede de relações peculiares, inclusive, afetivas. Neste lugar existe uma concepção particular de realidade e de futuro que não pode ser desconsiderada ou vista superficialmente por um só tipo de saber (ou técnico, ou político ou popular).

Estimular a participação e a mobilização social requer métodos, requer formas sistemática e sistematizada de ações, métodos que estejam alicerçados nas ciências humanas e no compromisso com o povo, e que possam ser integrados às metodologias de planejamento estratégico, como os métodos SWOT (análise dos pontos fortes e fracos, das oportunidades e ameaças) e SMART (identificação de objetivos específicos, mensuráveis, precisos, relevantes e no tempo limitado).

Um desses métodos de participação e de mobilização sociais é a pesquisa-ação-participante - PAP, um método político-pedagógico que une a pesquisa com a intervenção, numa perspectiva de trabalho, de aprendizagem e de produção conjunta de conhecimento entre o político, o técnico e a população.

O importante nesse método, e em qualquer atividade coletiva de construção do conhecimento crítico e de transformação de uma dada realidade, é considerar que a população pode exercer de fato um papel ativo, pois possui um tipo de conhecimento tão importante como o conhecimento científico-técnico e capaz, inclusive, de levar-nos a encontrar outros caminhos de construção democrática e objetiva da realidade a ser transformada.

Podemos dizer, neste final, com as palavras de Paulo Freire, que:

"Ai de nós, educadores, si deixarmos de sonhar sonhos possíveis... Os profetas são aqueles ou aquelas que se molham de tal forma nas águas de sua cultura e de sua história, da cultura e história de seu povo, que conhecem seu aqui e seu agora e, por isso, podem prever o amanhã que eles mais que adivinham, realizam."

 

 

 

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