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ARTIGO 8- GERENCIANDO O DESENVOLVIMENTO DA EQUIPE

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas


Na teoria de administração, define-se maturidade como a capacidade e a disposição de as pessoas assumirem a responsabilidade de dirigir seu próprio comportamento. Para Hersey e Blanchard, a maturidade é composta de dois fatores: comprometimento (vontade de realizar) e capacidade (instrução e experiência). Em outras palavras: querer e saber fazer.

No entanto, o desempenho humano depende ainda de um terceiro fator, o poder fazer, que se refere aos meios e condições de realização da tarefa.

Qualquer desempenho humano individual depende, pois, de três fatores básicos: querer, saber e poder fazer. O querer fazer compreende o grau de motivação, engajamento e satisfação que alguém sente ao realizar determinado trabalho. Saber fazer depende do conhecimento formal adquirido em situações de ensino-aprendizagem ou das experiências vividas pela pessoa. Finalmente, poder fazer diz respeito às condições exógenas ao indivíduo, isto é, ao ambiente em que a tarefa é realizada, aos recursos disponíveis, inclusive o tempo, ao grau de autoridade e responsabilidade inerentes à tarefa etc.

O desempenho da equipe, por seu lado, não depende só dessas três condições, mas também da forma como seus participantes interagem, como estão organizados e como se percebem enquanto membros de uma equipe. Portanto, é possível analisar o grau de desenvolvimento da equipe a partir do processo pelo qual os talentos individuais são combinados. Esse desenvolvimento é refletido pelo nível de sinergia, isto é em que grau o resultado do conjunto é melhor do que a simples soma das partes.

l - FASES DO DESENVOLVIMENTO DA EQUIPE

O desenvolvimento de equipe, que passa por diversas fases, é um processo de socialização de indivíduos orientado no sentido da obtenção de resultados comuns. Assim quanto maior o grau de desenvolvimento, maior a sinergia resultante do trabalho coletivo.

Num primeiro estágio, há apenas um agrupamento de pessoas que não se relacionam entre si. É o estágio denominado SÉRIE DE INDIVÍDUOS. A fila que se forma na frente do caixa de um banco é um exemplo dessa fase.

A segunda fase de organização surge na medida em que começa a estabelecer-se entre os indivíduos do mesmo conjunto alguma espécie de interação, que se verifica segundo regras, rotinas de trabalhos e organização estereotipada das interações funcionais. A característica mais marcante desta fase, que se denomina HIERARQUIA DE TRABALHO, é a falta de interação entre funcionários do mesmo nível hierárquico e setores de uma mesma Unidade. A linha de montagem de uma fábrica é um exemplo dessa fase.

Na terceira fase da organização, chamada GRUPO DE TRABALHO, existe maior grau de complexidade na integração dos componentes do grupo, em virtude do aumento do número de ligações funcionais e de sua maior flexibilidade. A maioria das Organizações estrutura-se nesta fase do trabalho coletivo.

A quarta fase da organização do trabalho coletivo constitui a EQUIPE DE TRABALHO que se caracteriza basicamente pelo alto grau de participação e envolvimento de todos os componentes em torno de objetivos. Aliás, o objetivo compartilhado constitui a própria essência da equipe, ao lado da forte vinculação entre os participantes a nível emocional e valorativo, traduzida no conhecido "espírito de corpo" ou no sentimento de vestir a camisa.

Você pode analisar as características fundamentais de cada uma dessas fases de organização do trabalho coletivo através do quadro a seguir.

2 -CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO EM EQUIPE

Os recursos de que uma equipe dispõe são inúmeros, principalmente pelo fato de que a equipe não é a soma aritmética de seus componentes individuais. Ela dispõe de um recurso não encontrado no indivíduo, na Série, na Hierarquia ou no Grupo: a SINERGIA, que constitui um efeito de ampliação da energia dos indivíduos, decorrente da confrontação, complementação e adição de idéias emitidas em situação de elevado envolvimento.

Do mesmo modo que, ao se unirem dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio obtém-se um conjunto dotado de propriedades completamente diversas das de seus componentes, tomados individualmente, forma-se uma EQUIPE unindo-se dois ou mais indivíduos.

Quadro Comparativo das Fases de Formação da Equipe

FASES A SÉRIE DE
INDIVÍDUOS A HIERARQUIA DE
TRABALHO O GRUPO DE
TRABALHO A EQUIPE DE
TRABALHO

REPRESENTAÇÃO
GRÁFICA
V A R I Á V E I S INTERAÇÃO

AUSÊNCIA DE INTERAÇÕES ENTRE OS PARTICIPANTES
INTERAÇÕES ESTEREOTIPADAS ENTRE OS PARTICIPANTES
INTERAÇÕES CONTÍNUAS E FLEXÍVEIS ENTRE OS PARTICIPANTES CONFORME A NECESSIDADE
INTERAÇÕES PERMANENTES, FLUÍDAS, ENTRE TODOS OS PARTICIPANTES.
OBJETIVOS

OBJETIVOS DEFINIDOS EXTRINSECAMENTE
OBJETIVOS DEFINIDOS NO TOPO DA REDE ISOLADAMENTE

OBJETIVOS DEFINIDOS CONSULTIVAMENTE

OBJETIVOS DEFINIDOS PARTICIPATIVAMENTE
DECISÃO

DECISÕES TOMADAS EXTERNAMENTE E COMUNICADAS

DECISÕES DE ELITE

DECISÕES DE MAIORIA

DECISÕES DE CONSENSO
PARTICIPAÇÃO
PARTICIPAÇÃO NORMATIZADA E CONTROLADA

PARTICIPAÇÃO SISTEMATIZADA

PARTICIPAÇÃO CONFORME O GRAU DE COMPETÊNCIA

PARTICIPAÇÃO LIVRE
ENVOLVIMENTO

NÃO ENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO COM A SÉRIE
ENVOLVIMENTO PROPORCIONAL AO NÍVEL HIERÁRQUICO NA REDE
ENVOLVIMENTO CONFORME AS TAREFAS E ATIVIDADES REALIZADAS
ENVOLVIMENTO TOTAL DOS INDIVÍDUOS COM A EQUIPE
SINERGIA

NULA

BAIXA

RAZOÁVEL

ALTA


Todas as vezes que uma equipe apresentar resultados que poderiam ser obtidos pelos indivíduos trabalhando isoladamente, podemos concluir que a sinergia é nula e que a maneira como os talentos individuais estão sendo combinados não está sendo administrada adequadamente. Um caso extremo da ausência de sinergia ocorre quando os membros de uma equipe atrapalham-se mais do que se ajudam, gerando resultados ainda menores do que seriam obtidos pelos indivíduos trabalhando isoladamente. Dizemos, neste caso, que a equipe está num processo de entropia, que pode variar de um grau mínimo até o ponto máximo, em que os resultados obtidos são iguais a zero.

Aos administradores cabe diagnosticar o grau de desenvolvimento e sinergia de suas equipes. Do correto diagnóstico e conseqüente ação administrativa dependem os resultados obtidos pela equipe, que espelham, em última análise, o próprio desempenho do gestor.

ASSIM § as informações
§ as experiências
§ os interesses
§ as aptidões
§ a inteligência
§ os objetivos
§ os valores
do indivíduo são ampliados e melhor aproveitados pelo efeito sinérgico da equipe


Desse modo, é natural que o trabalho em equipe oferece vantagens sobre o trabalho individual, tais como:

¨ maior aprofundamento na abordagem dos problemas;
¨ maior diversificação de pontos de vista ou enfoque dos problemas;
¨ maior comprometimento com a qualidade dos resultados por parte daqueles que participam nas decisões;
¨ antecipação de medidas, visando à melhoria do desempenho futuro;
¨ manutenção de elevado nível de motivação para o trabalho;
¨ melhor aproveitamento da criatividade dos indivíduos;
¨ aperfeiçoamento da competência para resolução de problemas complexos;
¨ integração de esforços e objetivos individuais.

Por outro lado, a equipe não constitui, em todas as circunstâncias, o meio mais eficaz de trabalho. Em alguns momentos, fatores como a natureza dos serviços, a disponibilidade de tempo, o nível de conhecimento e experiência necessários, o risco envolvido etc., recomendam que dado trabalho seja executado individualmente.

Porém, tais situações não constituem a regra, pois, o trabalho, na maioria das organizações, exige a participação de conjuntos humanos.

REFLITA: Sua unidade tem atuado como uma verdadeira equipe?
O potencial da equipe tem sido aproveitados adequadamente?

3 -POTENCIAL DA EQUIPE (como melhor utilizar a equipe)

A utilização adequada dos recursos da equipe constitui um dos maiores desafios da moderna gerência. Para responder a esse desafio, o gestor pode valer-se de vários mecanismos, atuando das seguintes formas:

F definindo mais claramente os objetivos em conjunto com sua equipe;
F descentralizando ao máximo para os subordinados;
F administrando os conflitos ao invés de ignorá-los, negá-los ou suprimi-los pela força;
F declarando explicitamente o que espera de cada participante, no desempenho de suas atribuições;
F reunindo-se periodicamente com a equipe para avaliação de seus resultados, do processo de trabalho e interação entre seus membros;
F organizando o trabalho e distribuindo adequadamente as tarefas a executar;
F estimulando a manifestação de criatividade dos funcionários;
F mantendo canais de comunicação sempre abertos, sejam formais ou informais;
F propiciando um clima organizacional aberto e adequado à inovação;
F estimulando o mecanismo de feedback sobre o próprio comportamento gerencial e da equipe.


Um dos indicadores úteis da utilização adequada ou não dos recursos da equipe reside no grau de participação e envolvimento expresso por seus membros. Com efeito podemos encontrar em qualquer setor de trabalho funcionários identificados ou não com a equipe. A não identificação compromete o desempenho coletivo, influenciando negativamente seus resultados.

Assim, o comportamento de cada integrante da equipe pode ser melhor avaliado através da combinação das dimensões: Atitude e Desempenho. Estas dimensões sintetizam os três fatores individuais apontados inicialmente: saber fazer, querer fazer e poder fazer.

Atitude é a força que impulsiona o comportamento humano, constituída pelos sentimentos, valores, conhecimentos e outros atributos do indivíduo ou do grupo.

Desempenho é o resultado apresentado em situações de trabalho, em razão de habilidades, conhecimentos e aptidões do indivíduo, podendo ser expresso e avaliado quantitativa e qualitativamente.

No contexto organizacional, a dimensão Atitude se manifesta segundo um "continuum", que varia de não-identificado até identificado com os valores, objetivos e metas da organização.

Do mesmo modo, a dimensão Desempenho se manifesta em escala que varia de não-produtivo até produtivo.

Assim, o comportamento dos indivíduos na organização reflete a combinação daquelas dimensões em diferentes graus e profundidade, cabendo ao gestor identificar cada situação em particular, dando-lhe o tratamento necessário para tornar o funcionário membro integrante da equipe. O quadro a seguir apresenta as quatro situações extremas.


IDENTIFICADO


ATITUDE


NÃO-IDENTIFICADO O INDIVÍDUO NA EQUIPE
IDENTIFICADO
E
NÃO-PRODUTIVO
(situação 2) IDENTIFICADO
E
PRODUTIVO
(situação 4)
NÃO-IDENTIFICADO
E
NÃO PRODUTIVO
(situação 1) NÃO-IDENTIFICADO
E
PRODUTIVO
(situação 3)
DESEMPENHO
NÃO-PRODUTIVO PRODUTIVO

Vamos analisar as situações:

Situação 1

Elemento não-identificado e não-produtivo, cuja característica principal é estar na organização para usufruir de seus direitos e gozar de seus benefícios. Interessa-lhe as questões relacionadas à satisfação das necessidades básicas e de segurança. No que refere ao trabalho, procura não se envolver. Sua motivação está deslocada para outros objetivos, diversos daqueles de sua Unidade.
Nessa situação, o papel do gestor deve direcionar-se basicamente para:

Ø identificar as causas do comportamento do funcionário, desenvolvendo ação conjunta com o mesmo, no sentido de administrá-las;

Ø motivá-lo para o trabalho, mediante o enriquecimento de tarefas;
Ø conscientizá-lo da necessidade de adotar postura condizente com o compromisso assumido com a instituição;

Ø engajá-lo numa equipe de trabalho que lhe ofereça condições de aproveitamento de seu potencial.


Situação 2

Funcionário identificado mas não-produtivo, isto é, aquele que apesar de compartilhar dos valores e objetivo da Unidade, não responde, por alguma razão, às demandas que lhe são apresentadas. Deixa de executar parte das tarefas que lhe são cometidas, não se compromete com os resultados, pouco se envolvendo com as decisões tomadas pela equipe.

Nessa hipótese, a ação gerencial pode direcionar-se no sentido de:

Ø identificar as causas da baixa produtividade, desenvolvendo ação conjunta com o funcionário no sentido de administrá-las;
Ø acompanhar-lhe o desempenho dando-lhe constante feedback;
Ø procurar conscientizar a equipe da necessidade de envolvê-lo em suas ações;
Ø manter postura aberta ao diálogo e receptiva, inclusive no sentido de rever posições adotadas.

Situação 3

Funcionário não-identificado mas produtivo, cuja característica principal é executar as tarefas eficientemente, conforme critérios estabelecidos, sem questionar propósitos, resultados etc. Seu comportamento tende a ser estereotipado, pautando-se exageradamente no manual ou normas. Não se sente, portanto, responsável pelos resultados e efeitos que seu trabalho venha a produzir na clientela. Percebe-se como peça de uma engrenagem maior, que não lhe cabe conhecer, julgar e, muito menos, identificar-se com ela. "Sou pago para fazer apenas isso, nem mais nem menos", diz esse tipo de funcionário.

Aqui, a ação educadora do gestor deve dirigir-se basicamente para:

Ø informá-lo dos valores, objetivos e metas da organização;
Ø conscientizá-lo da significação de cada nova tarefa que lhe é atribuída;
Ø envolvê-lo no processo de identificação de problemas e geração de soluções;
Ø atribuir-lhe tarefas que exijam seu posicionamento frente aos objetivos organizacionais.

Situação 4

Funcionário identificado e produtivo, que está envolvido com os valores, objetivos e o próprio destino da Unidade. Todo o seu potencial está investido no desempenho das atividades que lhe cabem e na participação efetiva em todas as fases do processo de tomada de decisão. Procura desenvolver-se, informar-se, resolver os problemas de forma cada vez mais eficaz, até mesmo antecipar-se a algumas dificuldades que possam surgir.

Nesse caso, a ação do gerente consiste basicamente em:

Ø manter o funcionário permanentemente informado acerca das diretrizes gerais da Unidade, de seus planos e metas;
Ø facilitar o seu processo de auto-desenvolvimento;
Ø dar-lhe, constantemente, feedback sobre o seu desempenho na Unidade;
Ø envolvê-lo nas ações de planejamento e tomada de decisões;
Ø atribuir-lhe tarefas mais desafiadoras e estimulantes.

Assim, é papel do gestor criar condições para que os funcionários integrem-se efetivamente às equipes de trabalho e apresentem resultados melhores, quantitativa e qualitativamente.

§ orientando-os
§ incentivando-os
§ organizando-os
§ envolvendo-os
§ informando-os
No esforço de consolidação da Unidade e da instituição

Outro aspecto de relevo no que diz respeito ao potencial da equipe, é o da capacidade de solução de problemas de maneira criativa e inovadora.

4 - DESENVOLVIMENTO DA EQUIPE E CRIATIVIDADE

No contexto organizacional, pode-se dizer que a criatividade é um processo de geração, transformação, adaptação de idéias, fatos ou fenômenos, em busca de enfoques e perspectivas inovadoras na resolução de problemas.

Contudo, a criatividade tem sido pouco utilizada no âmbito das organizações, principalmente porque associada a determinados estereótipos, como os de que:

F a criatividade é esporádica e incontrolável;
F o desempenho criativo verifica-se apenas na área artística;
F o potencial criador não pode ser canalizado e utilizado;
F a manifestação da criatividade depende de inspiração mágica;
F a solução criativa é inaplicável a problemas técnicos e administrativos.

Ao contrário, porém, a criatividade deve ser vista como variável passível de administração e de adaptação no contexto organizacional. Nesse sentido, estimular a criatividade é papel do gestor que queira utilizar plenamente o potencial de sua equipe. Algumas medidas que podem facilitar o processo criativo na equipe:

¨ enfatizar o uso da imaginação como força criadora, ao invés de meio de fuga da realidade, de construção de ilusões e "mitos";
¨ estimular o pensamento divergente de modo a romper a tendência natural ao conformismo e à estereotipia de idéias;
¨ orientar a equipe para concentrar-se em torno dos problemas;
¨ planejar a estratégia de abordagem dos problemas, prevendo os possíveis obstáculos e riscos inerentes à implantação das novas idéias;
¨ facilitar o acesso a informações de interesse do grupo;
¨ criar na equipe um clima de máxima abertura a novas idéias, não descartando nem mesmo aquelas aparentemente absurdas;
¨ criar momentos dedicados à reflexão sobre o andamento diário ou semanal da Unidade;
¨ colher freqüentemente informações sobre as repercussões do desempenho da Unidade em seu ambiente;
¨ estimular, nos membros da equipe, atitude de persistência e constância, principalmente quando diante de situações muito adversas;
¨ motivar o pessoal pelo próprio exemplo de entusiasmo com o "inovador";
¨ exercitar a equipe no método de análise e solução de problemas através de decisão compartilhada.

5 - DESENVOLVIMENTO DA EQUIPE E ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS

No papel de gestor, você já teve oportunidade de perceber que o conflito é fenômeno natural e inerente às relações interpessoais ou interfuncionais e intergrupais, com reflexos diretos sobre as atividades desenvolvidas dentro das organizações.

Contudo, poucas pessoas se dão conta de que, antes de negativo, o conflito pode ser utilizado como força propulsora na solução de problemas.

O conflito surge da dissonância ou divergência entre dois ou mais elementos, seja de natureza subjetiva, seja objetiva.

O conteúdo desses conflitos é o mais diversificado possível, destacando-se, por exemplo, os de:

Ø informações;
Ø idéias;
Ø objetivos;
Ø valores;
Ø métodos;
Ø concepções ou crenças.

Os conflitos interpessoais e intergrupais, por sua relevância no contexto organizacional, merecem ser vistos mais detalhadamente pois constituem grande preocupação para a maioria dos gerentes devido às repercussões que eles podem produzir no desempenho do setor de trabalho, a nível das relações interpessoais, dos procedimentos de trabalho, dos resultados finais e da própria imagem pública da Unidade.

Para administrar de modo eficaz os conflitos, o gerente precisa melhor visualizá-los. Nesse sentido, apresentamos o esquema abaixo:

EFICAZMENTE
ADMINISTRADO
PERCEBIDO INEFICAZMENTE
CONFLITO NÃO-ADMINISTRADO
NÃO-PERCEBIDO


Você, como gestor, tem percebido e administrado eficazmente os conflitos existentes em sua Unidade?

É importante saber que conflitos, ainda que não percebidos, podem desestruturar a equipe através de seus efeitos comprometedores sobre:

§ o moral do grupo;
§ o processo decisório;
§ o exercício da autoridade;
§ a motivação;
§ a qualidade e produtividade dos serviços.

Em sua Unidade, têm-se explorado de modo produtivo os conflitos, extraindo-se de sua ocorrência novas idéias, enfoques, posições ou procedimentos de trabalho?

Outro aspecto que precisa ser identificado pelo gestor, como condição para administrar eficazmente os conflitos interpessoais e intergrupais, é a atitude mantida pelas partes envolvidas acerca de seus respectivos benefícios finais. Há quatro atitudes sobre os conflitos, principalmente aqueles que envolvem relações de poder entre os participantes:

K eu ganho - você perde;
K eu perco - você ganha;
K eu perco - você perde;
K eu ganho - você ganha.

As atitudes "ganha-perde", "perde-ganha" e "perde-perde" tendem a criar entre as partes, motivações perniciosas ao clima e aos objetivos organizacionais.

No primeiro e segundo casos (atitudes "ganha-perde" e "perde-ganha"), pode ocorrer exacerbação do espírito competitivo entre os funcionários, ampliando-se, pela emoção, a importância de questões específicas e particulares e desviando suas energias dos problemas, das necessidades e dos objetivos maiores da Unidade e da própria Empresa.

No terceiro caso, na atitude "perde-perde", cria-se no grupo um sentimento generalizado de lassidão, descomprometimento e apatia, gerando produção de baixa qualidade e marasmo no ambiente de trabalho.

Finalmente, a atitude "ganha-ganha" dá aos conflitos sua dimensão mais nobre, qual seja a de criar novas alternativas de ação, novos objetivos, novos motivos para o trabalho. Quando, por exemplo, dois funcionários reconhecem a divergência de seus pontos de vista sobre determinada matéria e ao invés de minimizarem ou ocultarem suas diferenças, discutem-na de forma aberta, franca, adulta e assertiva (atitude "ganha-ganha"), indivíduos e organização saem beneficiados, uma vez que do conflito surgem novas energias para o trabalho e para o desenvolvimento profissional e pessoal de seus funcionários.

Você, como gestor, tem conseguido criar as condições necessárias para o surgimento da atitude "ganha-ganha", durante os conflitos que se manifestam em sua Unidade?

Vale lembrar, finalmente, que existem várias formas de administração de conflitos utilizadas pelos gestores, de acordo com a situação. Embora a integração seja considerada a forma ideal de administração de conflitos, conforme destacado adiante, não se aplica a todas as situações nem a todas as pessoas. É necessário que o gerente tenha sensibilidade para perceber cada situação e flexibilidade para optar pela forma mais adequada a cada caso.

Entre as opções existentes para abordagem do conflito, podemos destacar as seguintes:

rejeição consiste em afastar a existência do conflito, numa postura de recusar-se a admiti-lo. Sabe-se, porém, que, na maioria das vezes, o conflito "rejeitado" tende a reaparecer de forma bem mais intensa. Embora essa seja uma forma em geral inadequada de se tratar o conflito, alguns gestores optam por ela quando as conseqüências decorrentes são insignificantes;

disfarce consiste em minimizar ou descaracterizar a existência do conflito. Também, nesse caso, a causa do conflito não desaparece, pois essa forma de encará-lo visa apenas a preservar as aparências com respeito ao relacionamento interpessoal. A opção por essa maneira de lidar com o conflito acaba por gerar conseqüências prejudiciais ao trabalho.

Dominação consiste em utilizar-se da autoridade formal para "abafar" a existência de conflitos no contexto organizacional. Sua principal desvantagem reside no fato de as pessoas em desacordo se sentirem ressentidas e insatisfeitas, caindo o nível de participação e comprometimento com o trabalho;

acordo consiste, na verdade, numa troca (barganha) em que as partes envolvidas abrem mão de posições, de idéias ou de valores em benefício de ganhos imediatos. Essa forma de atuação pode tornar-se ineficaz em função do baixo nível de comprometimento de cada parte em relação à outra ou ao assunto;

integração consiste no reconhecimento do conflito e no desejo comum de resolvê-lo, ao invés de se ficar defendendo posições particulares ou de facções do grupo. Essa opção é viável quando todos estão dispostos a modificar ou rever pontos de vista, a fim de propiciar a melhor resolução dos problemas. Nesse tipo de administração de conflito, a ênfase situa-se não só na solução do problema, mas também na criação de um clima que permita aceitação e expressão de sentimentos, idéias e percepções. Essa é considerada pelos especialistas a forma ideal de tratar conflitos.

De tudo que se disse sobre conflito pode parecer que ele seja fator negativo ou desagregador de equipes de trabalho, sendo preferível que não exista nas organizações. Nada mais falso.

Em verdade, perpassando todo o complexo da dinâmica pessoal e social, o conflito de idéias constitui uma das forças mais poderosas de que o sistema gerencial pode dispor, a fim de impulsionar os indivíduos e as organizações ao desenvolvimento.

Entretanto, como conflitos dessa espécie constituem um fator sobre o qual o gestor deve enfocar suas energias, de modo a administrá-los eficazmente, não há sentido nos comportamentos e atitudes de fuga ou negação de sua ocorrência.

Aliás, o momento político que a sociedade brasileira vive, pautado nos preceitos do regime democrático, é o terreno mais fértil para a ocorrência de conflitos entre pessoas e grupos. Será que não ocorre o mesmo a nível de organizações? Aceitar os conflitos como parte da vida real e administrá-los são ações que integram o dia-a-dia do administrador brasileiro, tanto em suas relações com seus superiores, colegas e subordinados, no contexto da organização, quanto nas interações com ambiente (associações de classe, comunidade, fornecedores, clientes etc.).

O conflito representa, certamente, um fenômeno paradoxal, de vez que pode trazer benefícios ou prejuízos à organização, dependendo, de um lado, de como são administrados pelo gestor e, de outro, de sua própria intensidade e natureza.

Quanto à intensidade, constata-se que, depois de um certo nível, o conflito tende a tornar-se destrutivo, devido à exagerada carga de tensão emocional que produz nas pessoas envolvidas.

Os conflitos, cujo conteúdo predominante é a divergência de informações ou conceitos, tendem a ser de menor intensidade do que aqueles baseados em divergências de idéias, de objetivos, de poder e, principalmente, de valores. Os valores constituem, sem dúvida, o conteúdo de maior carga emocional, tornando os conflitos muito difíceis de serem administrados. Isso porque, neste nível, os conflitos tendem a produzir:

¨ maior rigidez e repetição de atitudes e comportamentos;
¨ redução das dimensões do raciocínio, resultando em percepções mais simples e inacabadas;
¨ redução do número de objetivos importantes,
¨ redução das alternativas de solução;
¨ aumento de sentimento de ameaça;
¨ tendência ao uso de poder coercitivo e da violência.

A principal característica positiva do conflito consiste em sua capacidade de romper a inércia em que tendem a permanecer as pessoas e as organizações. Rompendo o equilíbrio, o conflito obriga à readaptação de "forças", de modo a estabelecer-se novo patamar de estabilidade, conduzindo a mudanças, crescimento, progresso.

Frente a isso, o importante, pois, é que o gestor desenvolva habilidade suficiente para lidar com as forças desencadeadas pelos conflitos, coordenando-as na direção das mudanças desejadas pela sociedade, pelas organizações, pelas equipes de trabalho etc.

6 - CONCLUSÃO

Se reduzirmos a função gerencial ao seu mínimo denominador comum, aquele ponto sobre o qual não pairam dúvidas, podemos afirmar que, em essência, administrar é lidar com o fator humano da organização. Por isso, compete a cada administrador, ao lado das questões de ordem técnico-operacional, como finanças, marketing, produção etc., cultivar e manter um ambiente favorável ao crescimento pessoal e ao desenvolvimento da equipe.

Procuramos deixar claro que o Desenvolvimento Organizacional passa necessariamente pelo Desenvolvimento da Equipe e dele depende. Por outro lado, o Desenvolvimento da Equipe e o Desenvolvimento Gerencial são fenômenos tão intimamente relacionados que se torna impossível estabelecer uma relação de causa e efeito. Melhor seria considerá-los fenômenos simultâneos, como sugere a afirmativa de que o gestor "é o único funcionário cujo desempenho pode ser avaliado apenas através do desempenho de sua equipe".



 

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