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ARTIGO 9- MODELO DO UNIVERSO ORGANIZACIONAL

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas

INTRODUÇÃO

O conceito de sistema influenciou fundamentalmente o estudo das organizações, contribuindo, conseqüentemente, para uma melhor compreensão da dinâmica organizacional.

Como sabemos, sistema significa um conjunto de elementos em interação, ou mais precisamente, um conjunto de objetos ou variáveis juntamente com as relações entre eles e as relações entre seus atributos. Assim, para melhor entender ou mesmo explicar o funcionamento das organizações, podemos concebê-las a partir de um enfoque sistêmico, conforme a finalidade do estudo ou análise que se pretenda.

De fato, uma análise detalhada sobre o funcionamento das organizações humanas demonstra que elas, em sua maioria, são realmente complexas. Consistindo de indivíduos, grupos, setores, divisões e assim por diante, as organizações possuem características operacionais, objetivos e filosofias implícitas ou explícitas, níveis de moral, cultura organizacional específicos. Ademais funcionam, geralmente, em ambientes que lhes demandam pressões externas quase sempre conflitivas.

Para um perfeito entendimento a respeito de onde e sobre o que atuar no processo de desenvolvimento institucional, objetivando à maximização da eficácia e da efetividade organizacionais, vários modelos tem sido apresentados e utilizados, particularmente nos tempos mais recentes.

O Modelo do Universo Organizacional nesse sentido fornece, um referencial útil, através do qual se pode compreender e analisar com mais precisão os cinco subsistemas básicos: (Valores, Metas, Estruturas, Clima e Meio-Ambiente) próprios dos vários tipos de organizações sociais.
A seguir serão descritos tais subsistemas além de serem sugeridos alguns processos que os gerentes e consultores deverão utilizar de modo a se tornarem mais eficazes no desempenho de suas funções e papéis.

VALORES

Na verdade, no âmago de toda organização existe um conjunto de valores, fortemente influenciado pela filosofia predominante que é, em última análise, o propósito para o qual a organização é estabelecida. Em outras palavras, a filosofia subjacente define a razão da existência da organização.

A figura l demonstra o processo de formação dos valores.


Fig. 1 - Variáveis relacionadas com o subsistema Valores


Podemos afirmar que, enquanto houver consenso de valores principalmente entre as pessoas em posições de comando e influência dentro da organização, as atividades serão provavelmente caracterizadas por cooperação e coordenação. Além disso, as prioridades serão mais ou menos claras e óbvias, porquanto a submissão a um conjunto de valores habitualmente aceito, motiva e impulsiona as pessoas a serem mais flexíveis e a trabalharem juntas de modo mais entrosado.

Ao longo da história tem sido observado que os valores organizacionais podem mudar, isto é, ao longo dos anos os valores sobre os quais a organização foi originalmente institucionalizada com muita freqüência se perdem na turbulência do dia-a-dia .

Imaginemos, por exemplo, uma organização sem finalidades lucrativas, criada para ajudar a pessoas idosas e desamparadas que tenham um serviço de gráfica como suporte administrativo para suas atividades. Ao longo dos anos esse órgão responsável pela impressão e demais serviços gráficos pode ter tanto sucesso que a organização direcione suas atenções de modo a ganhar um novo foco de interesse: obter lucros mediante a prestação de serviços gráficos a comunidade em geral.

É lembrado o caso de uma associação sem fins lucrativos que foi criada para proporcionar seguros de baixo custo a membros de um grupo religioso quando a associação começou a acumular lucros, ela subvencionou vários projetos em prol desse grupo religioso. A partir daí sua finalidade foi mudada e a associação hoje constitui uma força política dentro do sistema em que foi criado.

No Brasil, temos vários casos que podem servir de exemplos para esse fenômeno.

Até aqui, vimos que os valores são decorrentes, da filosofia e propósitos organizacionais e que, como tal podem ser alterados. Entretanto, um outro fator que contribui para tanto são os propósitos gerenciais. Desse modo podemos afirmar que os valores organizacionais dizem respeito a filosofias e propósitos gerenciais.
Considerando que nem sempre esse valores são mantidos juntos, a falta de consenso cria uma tensão que pode impedir a eficácia organizacional. Supondo uma organização em que seus gerentes estejam empenhados em promover suas carreiras às custas do funcionamento coordenado de todo o sistema, fica fácil imaginar-se o quadro esperado para tal organização.

Uma atuação gerencial eficaz, por conseguinte, deve considerar alguns outros valores, além dos tradicionais (obter lucros, fornecer serviços de qualidade etc.), como por exemplo: cooperação; conflito impessoal funcional, abertura estratégica, aceitação de interdependência, realização de objetivos, respeito e dignidade no tratamento de pessoas, clareza, compromisso de estudar o funcionamento de sistemas humanos, aceitação de responsabilidade, expressão de sentimentos bem como de pontos de vista, profundidade, conceder autonomia a indivíduos e grupos, solução sistemática de problemas, proação em vez de reação, proporcionar e solicitar feedback, experimentação, solidez, autenticidade.

Certamente existem inúmeros fatores que podem afetar os valores organizacionais, alguns dos quais são freqüentemente ocultos e difíceis de serem manejados. Assim, tanto o sistema de recompensas como elementos internos da influência podem "moldar" o sistema de valores de uma organização. Crises, sucessos, falhas e disfunções podem conduzir a mudanças de valores. Do mesmo modo, o processo de recrutamento e seleção, o processo de burocratização, e até mesmo a inoperância técnico-administrativa afetam às vezes o sistema de valores. Assim, a permeabilidade da organização e sua suscetibilidade à invasão externa podem ser fatores determinantes da estabilidade do núcleo de valores.

Ocorrendo a mudança de valores pode tornar um dos seguintes rumos: institucionalização, rigidez, relaxamento, pluralismo e caos. Por isso os gerentes devem ter presentes as condições do sistema de valores que fundamenta a operação da organização, para que possam garantir que, pelo menos, uma parcela mínima necessária exista com relação aos propósitos básicos da empresa.

De que forma, então, devem os gerentes administrar os valores organizacionais? Como sabemos, o objetivo da administração de valores consiste em avaliar a extensão na qual as pessoas aderem a um conjunto de suposições, filosofias e propósitos comuns. Para isso é importante que o próprio comportamento gerencial seja orientado para valores. A lista a seguir apresenta alguns comportamentos que os gerentes devem manifestar para focalizar a atenção sobre os valores organizacionais:

1. Manter os valores organizacionais explícitos, sempre que possível.
2. Compartilhar seus propósitos valores com seus subordinados.
3. Apoiar e dar o exemplo na adesão aos valores organizacionais.
4. Avaliar o "ajuste" entre os valores organizacionais e os dos trabalhadores.
5. Fazer, das considerações sobre valores uma agenda vã lida para reuniões.
6. Na solução de problemas, discutir valores bem como fatos e atitudes.
7. Em situações conflitivas, procurar as diferenças de valores subjacentes ("Pode" e "deve").
8. Evitar argumentos de ganha-perde sobre valores.
9. Atualizar a definição da missão da organização.
10. Estabelecer metas condizentes com os valores a organização.


METAS

Muitas outras denominações têm sido dadas para caracterizar esse subsistema: Missão, Funções e Propósitos, Fins, Objetivos, Diretrizes etc.

Hoje em dia, no processo de evolução das organizações, uma das características mais acentuadas que se pode observar é a conscientização dos especialistas quanto à importância dos aspectos relacionados com as Metas. De fato, provavelmente as falhas organizacionais mais comuns se encontrem na área de metas, papéis e comunicações, que se interrelacionam. Papéis e Comunicação organizacional são afetados desfavoravelmente por falta de comprometimento com metas comuns. Por sua vez, a falta de clareza na metas pode causar desorganização, ineficiência e ineficácia.

Na verdade, as metas organizacionais podem ser consideradas "valores articulados". Com efeito, a meta "aumentar nossa quota, no mercado consumidor, em 7% nos próximos 10 meses" pode implicar em que conseguir um grande aumento nos negócios seja valorizado.

Da mesma forma, "desenvolver e dar publicidade a um ser viço de apoio à clientela até o final do próximo ano" implica na valorização do crescimento. Metas por conseguinte, são afirmações operacionais de valores subjacentes.


Fig. 2 - Relação entre os subsistemas Valores e Metas.

Assim, embora nem todos os funcionários participem do processo de estabelecimento de metas, pelo menos sua explicitação deve atingir a todos os indivíduos, caso se espere que eles se comprometam com os resultados pretendidos. Idealmente, então , os membros da organização devem ser parte, do processo, pois uma efetiva participação conduz ao real comprometimento, conforme se pode deprender do esquema representado na figura abaixo;


FIG. 3 - Representação esquemática da Lei do Comprometimento

De fato, a denominada "lei do comprometimento" estabelece que:

Participação significativa
leva um
Senso de envolvimento
que evoca um
Sentimento de influência
que gera
Posse psicologia
que conduz ao
COMPROMETIMENTO.

A chave para a administração de metas, por conseguintes induzir a participação no processo do estabelecimento de metas.

Um fato muito observado nas organizações tem sido a confusão entre metas e objetivos. Na verdade, objetivos são metas que se tornaram mais específicas. Por exemplo, a meta "Melhorar o sistema dos recursos humanos de nossa organização", pode implicar em vários objetivos, tais como "reduzir o índice de rotatividade" ,"aumentar o grau de satisfação do pessoal", etc.

Quando os objetivos são elevados a um nível mais alto de especificação, eles podem ser mais facilmente conduzidos, contudo os indivíduos que os implementam poderão perder de vista a meta global e as perspectivas de valores subjacentes.

Realmente, alguns cuidados são necessários quanto ao subsistema metas. Lembre-se, por exemplo, que os programas de gerência por objetivos não têm sido tão usados como se esperava, e que freqüentemente mais falharam do que foram bem sucedidos, talvez por um ou mais do seguintes motivos:

1. geralmente são impostos;
2. o entusiasmo inicial pelo programa não é mantido ao longo de sua implementação;
3. inadvertidamente tais programas estimulam objetivos orientados para o indivíduo em detrimento dos objetivos grupais ou do sistema;
4. o processo estabelecimento de metas não se estende a todos os funcionários, sobretudo os de nível mais inferiores;
5. a tendência das pessoas é trabalhar apenas nos objetivos mais tangíveis;
6. os programas não são adequadamente implementados.

A esse respeito, McConkie ao comentar aspectos de Gerência por Objetivos, admite que "... é a prática e não a teoria da Gerência por objetivos que freqüentemente falha... As falhas mais sérias das aplicações dos programas de gerência por objetivos residem no treinamento inadequado para sua execução e na falta de um acompanhamento".

Nessas condições, na administração da mudança é efetiva mente importante relacionar resultados desejados tanto com os valores organizacionais como com os meios disponíveis para a obtenção dos objetivos. Pode ser útil, por isso, pensar em mudança organizacional como tendo implicações que se estendem por um contínuo geral e especifico.


O papel gerencial exige a estimulação da percepção do inter-relacionamento de todos esses aspectos da mudança, para que se obtenha os resultados esperados. Assim, as principais implicações gerenciais desta maneira de pensar sobre as metas organizacionais são:

1. Fornecer treinamento a todo pessoal no estabelecimento de metas e objetivos.
2. Zelar pelo exemplo do processo, ou seja, o exemplo deve ser iniciado pelos gerentes.
3. Criar mecanismos em que todos os empregados possam participar no estabelecimento de metas.
4. Defender valores organizacionais durante o estabelecimento de metas.
5. Avaliar a clareza das metas em todas as reuniões de trabalho. Tema sugerido: Não haverá reunião sem que haja objetivos claramente definidos de antemão.
6. Testar continuamente o comprometimento com as metas organizacionais.

Considerando que a tendência e que as metas individuais sobrepujam as metas organizacionais, é obrigação dos dirigentes certificar certificarem-se de que os objetivos do sistema reflitam tanto os desejos da organização como as necessidades dos seus membros.


ESTRUTURA

Para muitas pessoas o termo estrutura é sinônimo de organograma, mas na verdade existem muitas outras estruturas e sistemas além desta maneira de descrever relacionamentos.

Quando se estabelece uma empresa, considera-se não só filosofia e valores, objetivos e metas, mas também como esses subsistemas entrarão em funcionamento. Dessa maneira, estabelece-se um sistema de relacionamentos superiores-subordinados ( relacionamentos de subordinações), processos e métodos de comunicação (padrões de comunicação) sistemática para tomada de decisões e resoluções de problemas do sistema (processo decisório), regras ou linhas mestras para a conduta dos membros da organização (normas e regulamentos), maneiras de avaliar, os resultados do desempenho da organização (sistema de responsabilidade) e um conjunto de medidas e ações para premiar a obtenção resultados (sistema de recompensas).

Esses são, portanto, os principais elementos (ou sistemas) que constituem a estrutura da organização, conforme representado na figura 4.


FIG.4 - Representação dos 3 subsistemas.
Destacando-se os 6 componentes do subsistema Estrutura.

Temos dois ângulos a considerar a respeito de cada um desses seis principais aspectos da estrutura da organização formal e informal. Assim, sabemos que começam como um sistema formal, mas o seu funcionamento quase inevitavelmente gera um sistema paralelo, informal. Não raramente esses sistemas informais tornam-se mais poderosos do que os formais, sobretudo na "moldagem" de comportamentos e nos inter-relacionamentos existentes.

A maioria dos sistemas formais de comunicação dentro das organização cria mais problemas do que resolvem. Sistemas comuns são reuniões, relatórios, sistemas de informação gerencial, memorandos e publicações. Os profissionais do desenvolvimento organizacional aprenderam a estar particularmente atentos a dificuldades neste aspecto da estrutura organizacional, porque são muitos os problemas humanos a que estão relacionados com as falhas na comunicação. Usualmente as falhas consistem em que os sistemas formais criam modelos de comunicação de cima para baixo, unilaterais, com ênfase em documentos (em posição à ênfase na transferência do sentido), obscuros e abertos a interpretações conflitantes. Da mesma forma um sistema informal surge sob forma de boatos, fofocas de grupos, especulações e redes de informação. Essas maneiras de obter e disseminar informação, tornam-se mecanismos compensatórios, e eles alimentam a tendência de seletividade na informação, a serviço das necessidades individuais. Muita falta de comunicação dentro das organizações origina-se da tensão entre esses dois sistemas, o formal e o informal. É mais fácil a membros descontentes e alienados de uma organização acreditarem em fofocas sem fundamento do que em pronunciamento oficiais.

Os aspectos dos procedimentos de Processo Decisório da estrutura organizacional relaciona-se a maneira formal e informal com que os problemas são solucionados pelo sistema. Freqüentemente há regulamentos e precedentes que regulamentam como as escolhas são feitas dentro de uma organização. Por exemplo, um supervisar acredita que o sistema de horas-extras imposto é ineficaz. A maneira como o supervisar deve começar a reconsiderar a política , e como seu pedido deve ser manejado, ilustraria os procedimentos for mais da Tomada de Decisão da organização.

Como esses procedimentos formais são freqüentemente frustrantes para as pessoas, desenvolveram-se maneiras informais de influenciar decisões. As pessoas recorrem ao comportamento político, a fim de obter decisões que lhes são satisfatórias e desenvolve-se uma tensão entre os sistemas formal e informal. A existência de um ,"clube do bolinha" que sistematicamente exclui algumas classes de pessoas (principalmente mulheres e minorias) da participação na tomada de decisão provoca o desenvolvimento de um sistema informal competitivo. Essa situação freqüentemente deteriora por meio de "jogos perde-perde" e, como conseqüência, a solução dos problemas organizacionais é prejudicada.

Normas são comportamentos previstos e esperados. Elas são formais e informais, e freqüentemente as informais são mais poderosas. Normas Formais seriam regras explícitas de conduta (proibição de cafezinho no escritório, pontualidade na chegada ao trabalho, segurança, padrões de vestuário, etc.) e as informais desenvolvem-se num sistema de influência de pares (como cortesia, acordos de "coexistência pacífica", deferência com autoridade, etc.) Criando normas formais conscientemente, os gerentes precisam antecipar resistências que podem produzir grandes expectativas interpessoais informais.

O Sistema de Responsabilidades geralmente consiste em reuniões de avaliação, em métodos para avaliar resultantes do comportamento dos indivíduos e grupos e em esquemas de prestação de contas. Infelizmente, existem também sistemas de apuração de responsabilidade informais. Às vezes os gerentes responsabilizam pessoalmente alguns indivíduos por certos resultados e podem "ficar cismados" com um certo departamento durante algum tempo. Os métodos formais de apuração de responsabilidades usualmente sofrem de problemas de mensuração (como em programas de treinamento e desenvolvimento, por exemplo) . Conseqüentemente, ha muitos "esconderijos" em algumas organizações, e nós somos coniventes com a falta de confrontação franca e aberta da incompetência. Ao invés de rebaixar ou despedir um empregado "leal" que tenha sido super-promovido, criamos uma nova função: "Assessor especial para assuntos extraordinários".

Recusamos fornecer feedback avaliativo, positivo ou negativo, e esperamos contar com eficácia individual ou grupal, sem recorrer a um sistema de responsabilidade.

O Sistema de Recompensas é provavelmente o fator determinante mais poderoso no comportamento individual e grupal. Recompensas formais usualmente incluem salários, benefícios e programas de reconhecimento (exemplo, "O empregado do mês"). Recompensas informais freqüentemente constituem fatores motivacionais. Recompensas como por exemplo, "ter um escritório particular com mais de uma janela e um tapete", "ter mais verba para pessoal", " receber uma palmadinha nas costas durante uma reunião importante", são poderosas influências na moldagem do comportamento de indivíduos e grupos. A Teoria da Expectativa (Nadler e Lawler, 1973) afirma que as pessoas se comportam de maneira que esperam que produzirão os resultados valorizados . O Sistema de Remuneração pode ter menos influência para alguns indivíduos que as oportunidades de promoção, reconhecimento por um trabalho bem feito ou a ampliação das responsabilidades.

A estrutura da organização consiste em sistemas interdependentes, cada um dos quais tem componentes tanto formais como informais. Este é o ponto apropriado para mudança organizacional, pois ele é o centro operacional do universo organizacional. Problemas que surgem entre as unidades da organização podem ser considerados deficiências nestes seis sistemas anteriormente mencionados. Problemas intergrupais verticais (a cúpula gerencial x a média gerência) freqüentemente surgem de dificuldades em relações de subordinação e padrões de comunicação. Os conflitos intergrupais horizontais (produção x armazenamento/despacho) podem surgir quando os Sistemas de Apuração de Tomada de Decisão e as Normas são prejudiciais a classes de pessoas, as relações intergrupais diagonais (preto-branco, homem-mulher) tornam-se tensas. Os gerentes devem não somente monitorar a eficácia de cada aspecto da estrutura como também analisar seus efeitos conjuntos. Algumas implicações dessa abordagem da conceitualização da estrutura são descritas abaixo:

1. Estudo como o poder está distribuído dentro da organização.
2. Institua criticas de processo em todas as reuniões (Como estamos funcionando em nossa reuniões?). Estabeleça laços de "feedback", a fim de que a informação flua também para cima e não só para baixo, dentro da organização.
3. Estabeleça procedimentos para corrigir os efeitos prejudiciais dos boatos (por exemplo, durante uma crise crie o "Centro de Controle de Boatos" para fornecer informações corretas).
4. Experimente usar métodos consultivos e de consenso no processo decisório.
5. Faça uma avaliação e diagnóstico de normas organizacionais.
6. Providencie treinamento para gerentes em avaliação de desempenho (veja por exemplo o Curso de habilidades de entrevista de Maier, "Appraising Performance"
7. Confronte o desempenho inadequado numa abordagem de solução de problemas.
8. Desenvolva a participação dos empregados na avaliação do sistema de remuneração e benefícios.
9. Procure meios informais de premir e/ou gratificar os mais eficazes.
10. Estabeleça reuniões de desenvolvimento de equipe de grupos que estão em conflito entre si antes de preparar uma confrontação intergrupal.


Como se pode observar, lidar com a estrutura da organização requer dedicação e estudo, não somente porque se trata do centro vital do sistema, mas também porque tantos de seus aspectos são ocultos. Isso requer uma ação de contínua avaliação organizacional.

CLIMA

O termo clima freqüentemente usado como sinônimo de atmosfera. Bennis 1972 concebe-o como um conjunto de valores ou atitudes que afetam a maneira pela qual as pessoas se relacionam, tais como sinceridade, relações sociais, confiança, autenticidade etc. Em outras palavras, o clima de uma organização é o estado psicológico que envolve o funcionamento da estrutura. É tanto o resultado como o próprio fator determinante do comportamento dos indivíduos e dos grupos dentro da estrutura (vide figura 5). uma espécie de "nuvem psicológica" que influencia o sistema ou influenciada por ele.


Gibb (l978) destaca a avaliação do nível de confiança da organização como ponto de partida para efetivar a mudança outros salientam diferentes aspectos do clima, como a moral ou o stress. Técnicas elaboradas foram desenvolvidas para pesquisar atitudes de em regados, mas a explicação sobre a satisfação no trabalho continua ainda sendo objeto de muitos estudos.

É importante para os gerentes reconhecer que o clima não pode ser controlado diretamente. Não se pode mudar as atitudes de outrem diretamente. Atitudes podem ser consideradas racionalizações do comportamento, embora sejam algumas vezes consideradas como produtores do comportamento. Dessa forma, trabalhos sobre mudança ou aprimoramento de atitudes devem ser cuidadosa mente conduzidos.
Existe uma relação muito grande entre estrutura e clima, daí alguns autores afirmarem que, se existem problemas no clima organizacional, suas raízes muito provavelmente serão encontradas na estrutura. Conseqüentemente, melhoramentos organizacionais são direcionados dentro da estrutura. A confiança resulta da obtenção de sucesso no trabalho ombro-a-ombro em prol de metas comuns.
Se desejamos melhorar o clima, precisamos fazer mudanças na maneira de conduzir o trabalho. As principais implicações para os gerentes neste modo de pensar sobre clima organizacional são:
1. Acompanhar as atitudes e moral bem como o funcionamento organizacional.
2. Concentrar-se na identificação e solução de problemas principalmente relacionados com:

a) relações de subordinação (expectativas do papel, reorganização).
b) processos de comunicação (memorandos, portarias etc.)
c) procedimentos de Tomada de Decisão (inicie mais consultas com subordinados, experimente a busca de unanimidade de opinião).
d) normas para pressões do grupo (conformismo).
e) Sistema de Responsabilidade (dinamize. as avaliações de desempenho). Estabeleça critérios para O sucesso.
f) Sistema de Recompensas (inicie um grupo de trabalho em vários níveis para promoções e transferências).

3. Inclua os insatisfeitos e desmotivados bem como os que estão satisfeitos, quando diagnosticar as causas subjacentes aos problemas de clima.
4. Estimule os resultados evidentes.

O clima da organização pode ser problemático no sentido de que ele pode produzir um obstáculo à produtividade e ao atingi mento' de metas do sistema. Os gerente devem estar alerta aos efeitos do seu comportamento no clima e devem procurar na estrutura as oportunidades para melhoria.


MEIO AMBIENTE

A organização encontra-se num meio com o qual interage para conseguir atingir seus objetivos. Dessa forma seu êxito de penderá de como se comporta em relação esse meio ambiente.
Katz & Kahn (l976), ao analisarem as organizações em relação ao seu meio ambiente, apresentam três conceitos que se acham inter-relacionados e dizem respeito à autonomia do funcionamento do sistema e da diferenciação entre o sistema e o meio ambiente. Assim, esclarecem que a "Abertura do Sistema" refere-se ao grau em que o sistema organização é receptivo a todos os tipos de "input", enquanto as "Fronteiras do Sistema" dizem respeito aos tipos das condições de barreira entre os sistema e o seu meio, fato que ocasiona graus de abertura do sistema. Por sua vez, a "Codificação do Sistema" é a principal maneira de agir a fim de assegurar especificações para a absorção de informação e de energia por isso, descreve o funcionamento real das barreiras que separam o sistema organização do meio ambiente.

Como se pode notar, a fronteira organizacional constitui uma barreira para muitos tipos de interação entre as pessoas de dentro e as de fora, mas inclui algum dispositivo facilitador para de terminados tipos de transações necessárias ao funcionamento organizacional. Outra , característica da fronteira organizacional é que ela é freqüentemente ambígua. Da mesma forma como existem graus de "interioridade", existem graus de "exterioridade", porque os indivíduos são membros de mais de uma organização. Os laços familiares e políticos devem contaminar o funcionamento da estrutura organizacional para melhor ou pior. Além disso, o que é um meio fundamental para uma organização pode ser secundário para outra. Considerando que o ambiente maior, macroeconômico, que importa quase todas as organizações têm sido descrito por um número crescente de observadores como turbulento (veja por exemplo Emery e Trist., 1978) , os líderes têm um trabalho mais árduo para administrar as relações com componentes de relevância em seu "campo". Manter um lugar no mercado é cada vez mais difícil, e "o domínio" da organização é cada vez mais precário. Eis algumas das implicações para os gerentes desta percepção sobre o meio e ambiente de organizações:

1. Manter sob vigilância a marcha da reação da organização às mudanças no meio ambiente.
2. Estimar os custos do grau de permeabilidade pelo qual a organização está passando no momento.
3. Estabelecer normas claras sobre as transações com componentes do meio ambiente.
4. Ser proativo no estabelecimento de metas em vez de simplesmente reagir a press6es externas.

Nossas condições, o meio ambiento é visto diferentemente de organização para organização, apesar de que todas participam igualmente em algumas considerações globais. Por exemplo, a disponibilidade de energia afeta a todas as organizações humanas concebíveis. Tendemos a pensar em organizações como sistemas fechados, mas são abertas, considerando-se sobretudo que cada uma tem fronteira permeável. No modelo de Universo Organizacional esta característica de permeabilidade é assinalada pela linha irregular que circunda a dimensão do Clima.
Para que as transações com o meio ambiente sejam satisfatórias, é necessário que a estrutura interna seja suficientemente flexível para enfrentar o inesperado. Se a organização se tornar excessivamente burocratizada, os seus membros tornam-se mais voltados para as realidades internas do que externas. Conseqüentemente, eles podem perder sua sensibilidade em relação ao meio ambiente, e a organização poderá se tornar vulnerável. Numa situação reversa, em que forças ambientais podem indiscriminadamente transgredir as prioridades internas, instala-se a desorganização. Por exemplo, uma firma de consultaria tem uma espécie de lema "o cliente é rei". Qualquer cliente pode criar uma destruição dentro de um sistema em qualquer época, e o pessoal deve revisar sua programação constantemente.


 

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