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ARTIGO 10 - OS CICLOS DE ATENDIMENTO E SUPORTE QUEBRAM AS CASTAS PROFISSIONAIS

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas

Para superar o modelo hierárquico-funcional, gerador da ruptura interna e das disputas entre os inúmeros setores e funções da empresa-piramidal, adota-se na empresa-rede, o tempo e o compromisso por resultados como os principais fatores estruturantes. O trabalho humano molda-se holisticamente, num todo integrado, flexível e auto-regulável.

As atividades de prospecção das necessidades do mercado, criação, produção, entrega e acompanhamento dos serviços e produtos, manutenção das condições e provimento dos recursos necessários ao desempenho empresarial, estão articuladas de modo solidário em dois ciclos de trabalho: o atendimento e o suporte.

Todas as pessoas que constituem a empresa são profissionais polivalentes e preparados para o trabalho em equipes temporárias.

As equipes são coordenadas por líderes eleitos para mandatos de gestão, definidos quanto à duração e metas a serem alcançadas.

Periodicamente, os profissionais que estão vinculados a uma determinada equipe de atendimento migram para uma equipe de suporte e vice-versa, criando-se, desse modo, a mobilidade horizontal necessária à constante oxigenação da empresa. "Pedra que rola não cria limo" é o provérbio da cultura empreendedora da empresa-rede.

O rodízio sistemático dos profissionais é uma forma de combater o comportamento feudal e desestimular o surgimento de castas de especialistas, uma figura cada vez mais desnecessária num contexto empresarial pautado pelo acelerado ritmo de inovações e amplificações conceituais. As empresas e as pessoas desenvolvem a polivalência, como eixo gerador de novos conhecimentos e habilidades para a descoberta de oportunidades e a solução de problemas.

Os ciclos de atendimento e suporte constituem a essência do processo produtivo, há muito tempo esquecida pelo generalizado cacoete taylorista de organizar-se o trabalho em categorias estanques. Fez-se de tudo para convencer o empresário e o trabalhador de que esta fragmentação era melhor para todos. Aqueles que não se convenceram, simplesmente perderam seus empregos.
Conseqüentemente, os que ficaram tiveram, não somente que ajustar-se a este modelo produtivo, mas tornar-se cúmplices e co-autores da fragmentação de seus próprios talentos e da subutilização de suas aptidões pessoais.

Surgiram assim, os profissionais que, de tanto trabalhar apenas idealizando planos para outros executarem cristalizaram-se sob o rótulo de planejadores e exilaram-se em assessorias; outros que, de tanto fiscalizar a execução de trabalhos de outrem, tornaram-se supervisores, gerentes, coordenadores; e outros ainda que, de tanto serem obedientes executores de planos e cumpridores de ordens superiores, perderam a vontade e o prazer de pensar, idealizar e dirigir seus próprios esforços.

O resultado foi a transformação de muitas empresas em mosaicos de seres atrofiados em suas habilidades e inseguros quanto aos seus potenciais de realização profissional.

Este pacto de atrofia coletiva deu origem ao conceito de "recursos humanos", um reducionismo que afronta a natureza humana e o significado do trabalho.

Ao remodelar a empresa em seus ciclos de atendimento e suporte e agrupar os profissionais em equipes polivalentes, interdependentes e comprometidas com a obtenção de resultados significativos junto aos clientes, estamos resgatando o espírito empreendedor que existe em cada um.

Nas empresas de serviço o ciclo de atendimento constitui o conjunto de atividades de percepção das demandas, produção, entrega e avaliação dos serviços que serão fornecidos aos clientes.

O espaço de atendimento estende-se para além dos balcões e portões da empresa, alcançando o próprio local de trabalho e moradia do cliente. Desse modo, muitas das relações de produção de serviços são desenvolvidas "em campo", sejam face-a-face, via telefone ou computador.

Para evitar que o atendimento seja compartimentado conforme a lógica interna da empresa, obrigando o cliente a desvendar em quais dos setores terá sua necessidade satisfeita, na empresa-rede qualquer profissional de atendimento deverá ser capaz de responder às demandas do cliente. Para isso, o investimento em qualificação técnica e comportamental deverá ser uma ação permanente.
Como os profissionais da empresa-rede trabalham em equipes, as estratégias mais indicadas para a garantia da contínua equalização de conhecimentos, atitudes e habilidades são a CAD-Comunidade de Aprendizagem e Desenvolvimento e a RAD-Rede de Aprendizagem e Desenvolvimento.

Como dissemos anteriormente, é preciso prevenir as cristalizações profissionais e o consequente surgimento de castas na empresa. Para tanto é imprescindível a adoção de uma política e sistemática que garanta o rodízio periódico entre os profissionais dos ciclos de atendimento e de suporte.

A idéia ouvida correntemente de que há pessoas que possuem perfil mais adequado para atuar na frente ou na retaguarda é muito questionável hoje em dia. Pode ser, antes de tudo, a acomodação ou o medo de arriscar-se que faz com que pessoas inteligentes permaneçam fazendo a mesma coisa, repetitivamente, durante 30 ou 40 anos, até a tão esperada aposentadoria.

Não podemos, em sã consciência, compactuar com esse comportamento de auto-limitação ou auto-desqualificação. Portanto, os profissionais precisam ser preparados para atuar, com desenvoltura, em ambos os ciclos de trabalho. Desse modo, quando o profissional polivalente estiver desempenhando atividades de suporte logístico saberá com maior segurança, colocar-se, empaticamente, na posição do colega que está frente-a-frente com o cliente. E este, por sua vez, terá mais paciência e consideração para com os parceiros que lhe dão suporte.


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