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ARTIGO 14 - PROGRESSO ECONÔMICO COM ATROFIA HUMANA. ATÉ QUANDO?

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas

O USO ECONÔMICO DO INDIVÍDUO

O progresso econômico, enfocado como um processo de aumento de quantitativo da oferta de bens de consumo e de acumulação de posses, vem sendo considerado como sinônimo de desenvolvimento da sociedade. Em plano secundário, são deixadas as questões sociais e as potencialidades e necessidades individuais, enfim, a qualidade da vida humana.

Este progresso vem sendo planejado e decidido por economistas, de profissão ou "de ouvido", em seus confortáveis gabinetes, protegidos por uma burocracia onipotente. Sua visão da realidade circunscreve-se a orientações doutrinárias de antigos mestres e a relatórios produzidos por fiéis discípulos, aspirantes da corrente do poder. Em seus enfoques, o homem, que deveria ser o objetivo do progresso, transforma-se em seu meio, em mais um recurso manipulável por um sistema econômico cuja filosofia é a satisfação de si mesmo, antes de tudo.

Esta visão reducionista do desenvolvimento da sociedade humana não é apenas uma orientação técnica de um governo específico, mas representa a manifestação de um sistema de valores de nossa cultura e época.

O homem, de sujeito do trabalho, transformou-se em seu objeto, sendo-lhe permitida a expressão de apenas pequena parcela de seu potencial de realização, até o ponto em que não comprometa o desenvolvimento do sistema do qual é simples engrenagem. O progresso econômico transformou-se em justificativa para todos os males perpetrados ao indivíduo e à sociedade.

O ser humano é utilizado pelo sistema que ele próprio planejou e que agora ajuda a perpetuar e a fortalecer, em troca de sua sobrevivência. Esta relação de simbiose tem origem num processo de condicionamento, reforçado de geração em geração seja de modo sutil e assistemático em cada família, seja como o exercício de um planejamento estatal cuidadosamente definido. Ambos os sistemas político-econômicos alcançam o objetivo de turvar a visão da realidade e reduzir o senso crítico do indivíduo, tornando-o dócil para ser consumido pelo sistema de produção.


A ESQUIZOFRENIA SOCIAL: AS CLASSES SEXUAIS

Como pré-requisito à manutenção dos padrões de desenvolvimento econômico, criou-se um pacto entre o indivíduo e o sistema, por meio do qual, em troca de certas vantagens materiais, segurança, sentimento de aceitação pelo sistema, o indivíduo sacrifica parte de suas potencialidades de crescimento como pessoa. E para manter a sensação de equilíbrio mínimo necessário à própria existência humana fez-se, nesse pacto, uma espécie de compensação por perdas e danos. - Ao invés de sacrificar todos os indivíduos em todas suas necessidades, potencialidades e aspirações (o que prejudicaria o próprio sistema), estabeleceu-se uma fórmula de modo que 50% dos indivíduos - os homens, teriam metade de sua personalidade atrofiada e em troca poderiam desenvolver ao máximo a outra metade, ocorrendo o inverso com os outros 50% dos indivíduos - as mulheres. No cômputo geral obteve-se uma compensação de lado a lado e, aparentemente, ficou tudo bem. As pessoas passaram a constituir, econômica e psicologicamente, duas classes sexuais: os homens e as mulheres. A partir dessa diferenciação, cada um dos sexos desenvolve a metade de atributos permitida pelo outro e assim, inconscientemente, mantém em conluio, o pacto das diferenças sexuais, uma das bases do progresso econômico da sociedade, ou melhor das elites da sociedade.
Quando este pacto foi estabelecido, (talvez há 40.000 anos pelo homem de Neandertal) a divisão das classes sexuais representava uma resposta natural às características do processo de trabalho que, por exigir força física precisava ser desempenhado pelo macho, mais robusto e resistente. O homem desempenhava seu papel de defensor e provedor de sua família e comunidade, enquanto à mulher cabia o papel de proteção emocional e o ensino de hábitos sociais primários, como extensão natural de seu vínculo biológico com o filho.

Este modelo, ao invés de ser revisto e adaptado às atuais condições de vida, vem sendo automaticamente transferido de geração a geração como um dogma do qual a maioria nem se dá conta. Diz-se, inclusive, que na cultura brasileira o preconceito mais arraigado é exatamente o sexual, no qual o machismo dominador, de um lado, reforça e é reforçado pela feminilidade submissa, do outro lado, num pacto mantido às custas do sacrifício de ambas as individualidades.

OS PAPÉIS SEXUAIS

As expectativas que a sociedade possui em relação ao papel do homem são bem distintas daquelas que alimenta em relação ao papel da mulher. E a família incumbe-se de transformar esta diferença psicológica e social, entre os papéis sexuais, numa realidade. Enquanto do homem exige que seja um indivíduo objetivo, racional e estável emocionalmente; da mulher espera que seja dependente, voltada para a família, flexível, frágil, insinuante. Enquanto as mulheres são treinadas desde crianças a serem protetoras, dedicadas, altruístas; "a maioria dos rapazes, por exemplo, não incluiria em sua auto-imagem a habilidade de criar filhos ou de tomar conta diretamente de outras pessoas, bem como confortá-las." (Hogie Wyckoff)

O homem recebe, portanto, seguidas mensagens verbais e não verbais de "não sentir" e "não demonstrar" emoções, de ''não manifestar" suas necessidades, fraquezas, espontaneidade. E recebe enérgicas mensagens para pensar, ser objetivo, direto, insensível e distante, esforçado e resignado com a rudeza da vida. Para ele a vida somente tem significado no trabalho, na ocupação produtiva do tempo, na "guerra do dia a dia". - A "perda de tempo" com lazer, com a educação dos filhos, com as vivências emocionais, deve ser evitada para não amolecer o vigor espartano do macho.

A mulher recebe contínuas mensagens para "'não pensar", "não ser objetiva e direta" mas, ao contrário, sentir e manifestar suas emoções, exagerar suas necessidades e fraquezas, demonstrar dependência e inabilidade no mundo dos negócios. Deve ser moldada para a vida doméstica e para o cuidado dos filhos; para tanto precisa manter-se em estado de eterna criança, (talvez para facilitar sua convivência com os menores). "As mulheres são programadas para serem a metade complementar do homem produtivo" (Wyckoff). Um esteio doméstico do homem programado para o trabalho.

O modelo de divisão das classes sexuais é bastante eficaz para a manutenção da estabilidade e da ordem do sistema econômico sem ferir, aparentemente, as necessidades humanas da sociedade. Fica em cada pessoa a sensação de que não precisa ser autônoma, integral, uma vez que basta encontrar no outro sexo a metade que lhe falta para sentir-se inteira. O preço do progresso econômico, segundo o modelo que mantemos, é a fragmentação de cada personalidade. Do homem retira-se a vivência emocional e da mulher subtrai-se a vivência racional, restando, ao final uma sociedade de pessoas incompletas. Até quando continuaremos cúmplices desse pacto?


A RUPTURA DO PACTO SEXUAL


As mulheres já deram a resposta com o chamado movimento de libertação, exigindo a participação no processo de produção, direitos equivalentes aos dos homens e a ruptura de seus grilhões com os papéis domésticos. - Eu só espero, de coração, é que elas não passem, simplesmente, de um lado para o outro e que o preço de sua libertação não seja a perda de seus valores femininos. Nesse caso, ao invés de conquistarem nova posição, passariam a ser apenas a imitação do papel masculino. Em lugar de atingirem sua libertação, estariam apenas mudando da prisão doméstica para a prisão do trabalho, tão desumana quanto a primeira. É necessário que, através de seu movimento de libertação, a mulher integre a "metade" que possui já desenvolvida à outra bloqueada. Não sei se é vantajoso apenas trocar uma metade por outra. Pode, na verdade, ser mais uma armadilha montada pelo próprio sistema de produção para aumentar sua força de trabalho, inclusive com custos mais reduzidos, pois os salários pagos às mulheres são menores do que os salários pagos aos homens, no exercício de profissões e funções similares.

O Movimento de Libertação da Mulher imitou, em seus traços gerais, uma ação de rebelião, na qual o oprimido rebela-se contra o opressor e subverte a ordem estabelecida. Entretanto, apesar da aparente dominação da mulher pelo homem, neste caso, a essência da dominação transcende a própria relação homem-mulher. Na verdade, ambas as partes estão sendo dominadas por um algoz comum: o sistema econômico, com suas exigências de progresso material, perpetuadas tanto pelo homem quanto pela mulher, numa proporção de 50% de responsabilidade de ambos.

A mulher já deu o seu brado de libertação. Resta ao homem fazer o mesmo, do contrário todo o esforço feminino de libertação será infrutífero. Para isso será necessário que tanto o movimento masculino quanto o movimento feminino de libertação, questionem e superem os parâmetros do sistema de exploração econômica, seja ele de natureza liberal ou estatal.

O homem vem, desde as mais remotas épocas, aceitando o jugo de um sistema de produção que consome suas energias físicas e mentais e o submete a uma vida austera e fria, como se estivesse a expiar seus pecados. - Afinal, Deus ordenou-lhe que "de agora em diante viverás do que produzires com o suor do teu rosto". É como se esta condenação do comportamento de Adão representasse, através de uma linguagem simbólica, um castigo mágico perpetrado a toda espécie humana. Esta visão pessimista do homem, que a religião nos deixou marcou, profundamente, todos os modelos de desenvolvimento econômico, que se alimentam do trabalho e justificam seus valores desumanos na necessidade de expiação do pecado original.

Para nossos antepassados, Deus era um pai muito bonzinho, desde que seus filhos (os homens, pois as mulheres foram subprodutos destes) não quisessem sair das cômodas dependências da casa paterna. Sob esta aparência plácida, Deus decerto devia ser um Pai com as mesmas proibições internas, que o homem depois herdaria, de desfrutar do prazer, do amor, da liberdade e da verdade.
E Adão, com sua ingenuidade infantil, deixou-se levar pela mulher e pela curiosidade, desvendando o mundo maravilhoso do prazer, da espontaneidade, do amor e da verdadeira percepção das coisas e dos outros. Resultado: ao invés de ser premiado, o coitado foi duramente punido e castigado até a sua última geração, a trabalhar e trabalhar, do contrário morreria de fome. - Um aspecto interessante que devemos observar é que, no Velho Testamento, o castigado foi apenas Adão, por isso ele teve que trabalhar para sustentar a si, aos seus filhos e à Eva, que recebeu permissão para continuar "curtindo a vida numa boa", pelo menos até que viessem os filhos e as conseqüentes obrigações de mãe.

Toda essa encenação mágica demonstra a incrível sabedoria de nossos antepassados de construir, sobre a ignorância e a insegurança humana, a fé religiosa e, sobre esta, as bases de um sistema de valores que vem disciplinando o Homem até a atualidade.

A sensação de que estamos vivendo ainda, psicologicamente, sob este martírio mágico, é muito nítida. A coexistência da elevada taxa de desenvolvimento econômico e tecnológico com o baixo nível de desenvolvimento da capacidade mental e das condições de convivência social é a manifestação irrefutável da atrofia humana. Basta olharmos os jornais e revistas que as manchetes nos fulminam com acontecimentos tão corriqueiros hoje quanto há trinta ou cinqüenta séculos atrás: as guerras, a dominação, a corrupção, a violência, a fome, a ignorância, a inveja, o ressentimento, as tramas políticas, as mentiras econômicas, as ilusões religiosas, enfim, a pletora de fenômenos tão antigos quanto o ser humano. É possível que tenham inclusive, sido ampliados em nossos dias. Vejam o surto de violência que toma conta de nossas cidades e a grande violência da miséria que ainda assola mais de 20 milhões de brasileiros.

O homem precisa "desencantar-se" para recuperar todo o seu potencial de realização como pessoa. No momento em que este "encantamento" for desmascarado pela consciência das potencialidades atrofiadas, as relações de dominação psicológica serão substituídas por relações mais simétricas e construtivas e, quem sabe, o próprio paraíso poderá ser reencontrado, dentro de cada um de nós e em nossas relações de seres integrais e autônomos, cidadãos construtores de nossas próprias vidas.


O INDIVÍDUO COMO OBJETO DE PRODUÇÃO

As relações de trabalho encontradas nas organizações sociais tais como fábricas, empresas comerciais, repartições públicas, escolas etc, são determinadas por um contrato de trabalho, implícito ou explícito, pelo qual o patrão provê as necessidades básicas do trabalhador e este, em troca, lhe aluga o braço, a cabeça ou simplesmente o seu tempo de vida. O indivíduo é tratado como um recurso a ser explorado ao máximo num tempo mínimo. Ao entrar numa organização, ele sabe que lhe será exigida e expressão de apenas uma parcela de suas potencialidades e, em troca, terá suprido apenas parte de suas necessidades pessoais. Ele precisará contentar-se em ser fragmento de homem pelo menos durante as oito horas de seu dia e as quarenta horas de sua semana, até que venha a aposentadoria, que ao invés de prêmio, constituir-se-á em mais um martírio, inclusive para aqueles mais abonados, que não sabem o que fazer com o tempo livre conquistado. Há pesquisas que denunciam uma sobrevida de apenas cinco anos entre ex-empregados de banco, ex-militares e ex-funcionários públicos, após a "expulsória".

A relação do homem com o ambiente de trabalho é semelhante a do passarinho com sua gaiola, que já acostumado às quatro paredes e à comidinha fácil, vê na liberdade uma utopia ameaçadora. Imerso nesta condição de vida, ele sente sua essência sendo consumida, pouco a pouco e, seu potencial de crescimento e realização, atrofiado.

Será possível uma pessoa realizar-se plenamente, sem antes se libertar dessas condições psicossociais? E, além disso, ou antes disso, será possível tal libertação sem a ruptura da prisão interior, construída pelas programações psicológicas, que impelem a pessoa a viver apenas parcialmente sua existência, sacrificando a integridade de sua personalidade em troca de uma sobrevivência subumana?

Esta é a situação em que se encontra a maioria das pessoas submetidas, por um lado, às pressões de superadaptação ao "status quo" do sistema econômico e, por outro, às pressões históricas, culturais e religiosas, traduzidas e exercidas psicologicamente através de sua família. Sob o efeito destes dois fogos cruzados, a pessoa tende a desenvolver um estilo de vida defensivo que possibilite, pelo menos, a sua sobrevivência. Seu desenvolvimento como pessoa integral transforma-se em utopia distante e perigosa.


AS DIMENSÕES DO DESEMPENHO HUMANO

O desenvolvimento integral da personalidade pressupõe, pelo menos, a vivência satisfatória de quatro dimensões vitais: a profissional, a de casal, a familiar e a social. Durante o "treinamento" que recebemos na infância, aprendemos os modelos que deverão ser utilizados em cada uma dessas dimensões. Estes modelos constituem os papéis que desempenharemos durante nossa vida adulta, conforme as expectativas do sistema sócio-econômico em que vivemos.

O treinamento das crianças e adolescentes é feito segundo padrões e princípios diferentes, conforme os sexos. Os homens são estimulados a manifestarem, preferencialmente, o lado racional e objetivo de suas personalidades, fundamental ao desenvolvimento de sua dimensão profissional, deixando em plano secundário a dimensão familiar de suas vidas. Devido a isto são ridicularizados, e mesmo punidos, quando expressam atitudes e comportamentos emocionais, ligados aos papéis de casal e familiares. Por outro lado, as mulheres, desde cedo, são estimuladas a manifestarem o lado emocional de suas personalidades, essencial ao desempenho das dimensões de casal, familiar e social de suas vidas. São inibidas, ridicularizadas e punidas quando expressam atitudes e comportamentos enérgicos, objetivos e racionais, "coisas de menino".

O movimento de Libertação Feminina vem buscando condições para a conquista da dimensão profissional, pela mulher. Mas, enquanto este movimento continuar unilateral, seus frutos não serão tão significativos e a reação machista poderá inclusive impedir que a desejada libertação seja alcançada. Os sintomas desta reação, às vezes sutil, podem ser sentidos em vários níveis. Na área profissional, pela permissão à entrada da mulher em funções e serviços de baixo status e o impedimento, ou condenação implícita, de que a mulher assuma funções de maior relevância na hierarquia do sistema político e econômico. Além disso, como já falamos anteriormente, é conhecido o fato de que a remuneração por determinados serviços ser mais baixa quando o ocupante da função é do sexo feminino. Há empresas que, diante de dois candidatos de sexos diferentes e possuidores de competência equivalente, escolhem sempre o do sexo masculino, quando a função é de grande responsabilidade. Quando a função é de menor risco e responsabilidade ocorre uma inversão de critério, passando-se a optar pelo "visual" feminino e pela esperança de algum proveito sexual futuro. (A moral da estória, apesar de implícita, é transparente: o homem é encarado como objeto de produção e a mulher como objeto de satisfação sexual).

As repercussões na área familiar das ações e reações, oriundas do Movimento de Libertação da Mulher, foram também marcantes. Com a saída da mulher para o trabalho houve uma redução de sua participação na educação e proteção psicológica dos filhos, criando um vácuo psicológico nas relações pais-filhos, vez que o espaço deixado pela mulher não foi ocupado pelo homem. (Também na psicologia, qualquer vácuo criado tende a ser preenchido de imediato, com o objetivo de evitarem-se maiores danos para o equilíbrio do sistema social). E este vácuo nas relações pais-filhos foi preenchido pela babá, pela TV, pela creche ou escolinha, criando uma espécie de família de plástico.
A repercussão dessa fragmentação familiar é a deficiência da aprendizagem de comportamentos de intimidade, o enfraquecimento dos papéis de pai e de mãe e a insegurança das crianças, submetidas à orientações às vezes contraditórias, gerando um aumento cada vez maior do fosso que separa as gerações.

Este é, ao meu ver, o problema mais grave que está sendo criado com a ruptura do "pacto sexual" pela mulher, sem a decisão complementar do homem de assumir sua outra metade.
Portanto, é de vital importância que este reveja sua hierarquia de valores, reduza o peso de seu papel profissional a uma dimensão mais humana e reacenda o seu papel de pai, prestes a apagar-se de vez.

Nos grandes centros urbanos, o tempo livre tem sido tão reduzido que o trabalhador não tem nem mesmo oportunidade de conviver com a família nos horários de refeição. Desse modo, até mesmo o "pai da mesa de refeições" desapareceu, ou transformou-se em artigo raro. Restam, tão somente, os "pais de fins-de-semana", isso quando não há necessidade de adiantar algum serviço antes da próxima segunda-feira ou a necessidade de mais algumas horas-extras para tentar aliviar o peso das despesas.


CONCLUSÃO

Precisamos de um novo enfoque para as questões da Liberdade e da Igualdade, direitos humanos que vêm sendo feridos, flagrantemente, pelos diversos sistemas econômicos vigentes. Não basta que a mulher liberte-se de sua prisão doméstica e nem que o homem liberte-se de sua cadeia do trabalho. Se não fizerem isto juntos, os esforços de um serão minados pelo outro. É necessário que este "novo modelo de igualdade vislumbre um futuro em que a família, a comunidade e a recreação terão valor igual à política e ao trabalho para ambos os sexos e para todas as raças". (Pauline B. Bast).

Precisamos de um Movimento de Libertação Humana, que devolva, a ambos os sexos, a capacidade de realização e desenvolvimento, reprimida há tanto tempo, permitindo-lhes desfrutar de uma vida humana, que seja realmente mais vida e que seja de fato mais humana.


 

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