[OPINIÃO]

1. DAVID LANDES E O HOMEM DE SILÍCIO


2. O LIVRO VIRTUAL, INTERATIVO E GRATUITO


3. CRIAR EMPREGO OU ESTIMULAR EMPREENDIMENTOS


4. EXPORTAR OU MORRER, A SAÍDA PELO PACÍFICO


5. A NOVA REVOLUÇÃO ACREANA


6. PSICOLOGIA E POLÍTICA








 

 

OPINIÃO


OPINIÃO 01 - DAVID LANDES E O HOMEM DE SILÍCIO

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas

As opiniões do historiador David Landes, expressas nas páginas amarelas da Revista VEJA da semana de 20/03, refletem os valores de um velho homem, enrijecido em seu universo mental mercantil que a tudo e a todos transforma em mercadoria a ser consumida, comprada, vendida.

Nosso ilustre sociólogo Guerreiro Ramos deve estar contorcendo-se em seu túmulo ao perceber o quanto a ética de mercado tem reduzido o ser humano a mero meio de produção, a recurso a ser explorado até a exaustão, a objeto de consumo. Precisamos ter senso crítico para comprender o discurso de Landes como, tão somente, a expressão de sua percepção economicista da realidade.
Não é verdade o que ele diz: " empreendimentos são realizados por pessoas que vivem para trabalhar, e não por aqueles que trabalham para viver". Há empreendimentos sendo realizados pelas duas categorias de homens, as quais ele refere-se. Os empreendimentos que têm apenas o lucro como meta, são fontes de injustiça social, de exploração humana e de destruição da natureza. Não têm a ética como régua para medir seus resultados.

Quando refere-se à Ásia, que "vai continuar sendo um dos maiores centros de crescimento do mundo, pois as bases culturais do crescimento estão presentes lá", Landes revela sua ignorância ou perversidade ao considerar crescimento econômico como o único indicador de desenvolvimento humano. A própria Ásia continua fazendo seu crescimento baseado na grande concentração de riqueza nas mãos de uma elite, deixando para a maior parte da população, a pobreza. O nosso Brasil é um exemplo eloquente deste viés economicista, que transforma os ganhos do PIB numa grotesca realidade de injustiça social, dor e sofrimento de milhões de brasileiros.

Não precisamos nos transformar em formigas domesticadas para produzir cada vez mais, criando excedentes para exportar cada vez mais, para tentar tampar o buraco de nossa descomunal dívida externa e interna, criada e mantida por uma sequencia de governantes, ora incompetentes, ora espertos e corruptos demais. Não queremos crescer desse jeito como os americanos deslumbrados com a Nova Corrida do Ouro, estão crescendo: Por só pensarem em trabalhar, produzir e vender, esqueceram-se de suas vidas pessoais, como podemos ler na reportagem Bom Emprego, mas falta Mulher (pág. 74 e 75). Na verdade, o que falta é dignidade humana, é felicidade, é tempo livre, é amor, é lazer, é amizade, é curtir a vida como nós brasileiros sabemos fazer.

Os coitados dos milhonários de silício estão apenas "atrás do dinheiro, do status e da fama. Em compensação, são obrigados a conviver com a fadiga, o stress e principalmente, a falta de tempo. Na vida desses empregados do futuro nada pode ser mais importante que o trabalho."(VEJA) Será que no fundo há muita diferença entre nossos carvoeiros (retratos de nosso passado colonial) e estes homens de silício (arautos do futuro) ? O senhor Landes precisa fazer um estágio de vida aqui no Brasil, para aprender que nem só de trabalho vive o Homem.



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