[OPINIÃO]

1. DAVID LANDES E O HOMEM DE SILÍCIO


2. O LIVRO VIRTUAL, INTERATIVO E GRATUITO


3. CRIAR EMPREGO OU ESTIMULAR EMPREENDIMENTOS


4. EXPORTAR OU MORRER, A SAÍDA PELO PACÍFICO


5. A NOVA REVOLUÇÃO ACREANA


6. PSICOLOGIA E POLÍTICA









 

 

OPINIÃO


OPINIÃO 04 - EXPORTAR OU MORRER, A SAÍDA PELO PACÍFICO

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas

Quando FHC lançou seu brado "exportar ou morrer" lembrou-me a figura imponente de Dom Pedro I, dando seu grito de guerra "independência ou morte!". Veio à mente também o grande Tiradentes ao declarar "liberdade ainda que tardia!".
Mas, a decepção veio logo a seguir, quando a versão tucana diplomaticamente morna substituiu aquele lema pela tímida declaração "exportar para viver". Que falta de senso heróico deste governo!
Um país não é feito só de decisões econômicas e racionais, mas de imagens simbólicas que falam ao inconsciente coletivo do povo e deixam marcas em sua cultura nacional. O político não pode negar-se ao seu papel dramático, de fazer o senso comum mirar-se numa visão de futuro marcante, energizadora do presente. Do contrário, só repetiremos, burocraticamente, o passado.
Eu fico com o lema "exportar ou morrer!". E percebo que nosso presidente, em seu íntimo, teria querido dizer em alto e bom som "exportar ou moratória". Infelizmente foi o que nossa vizinha Argentina acabou de fazer com seu cavalar pacote econômico de 2 de novembro, dia dos mortos, ainda que veladamente, ao dar um calote de 95 bilhões de dólares em sua dívida de 132 bilhões de dólares, com sua anunciada "reestruturação consensual".
É claro que nossa economia é bem maior e nosso parque industrial bem mais moderno que o da Argentina. Mas nossa dívida também é muito maior e os juros escorchantes que somos obrigados a pagar anualmente não nos deixam em situação tão confortável como gostaríamos, pois temos o compromisso assumido de rolar 30 bilhões de dólares de nossa enorme dívida, anualmente.

Diante deste cenário preocupante só temos três saídas: não pagar, cortar despesas ou aumentar nossa receita em dólares. A primeira alternativa não é coisa de gente séria e responsável, apesar de não termos sido tão responsáveis ao contrairmos nossa dívida externa, ao longo dos últimos governos; a segunda medida tem se mostrado sempre muito tímida em nossa história recente, salvo o alento da lei de responsabilidade fiscal, recém promulgada; resta-nos a última saída, literalmente a saída para o exterior, de nossos produtos e serviços.
Contra esta decisão temos nossa falta de tradição exportadora, resultante, de um lado, de nosso grande mercado interno e, de outro, de nossa escassa experiência e agressividade na contenda do comércio internacional. Enquanto conseguimos exportar apenas o equivalente a 11% de nosso PIB, o México exporta 31%, o Chile 32% e a Coréia do Sul exportam o equivalente a 44% de seu PIB nacional.

Temos que romper muitas barreiras, além das tributárias e burocráticas. Precisamos romper as restrições culturais, para conseguirmos exportar significativamente mais, saindo desta timidez que nos tem caracterizado ao longo de décadas, como bem o demonstra pesquisa da Organização Mundial do Comércio que, ao comparar a evolução nos últimos 20 anos (1980 a 2000) de nossas exportações com a de outros países, revela nossa sofrível posição de lanterninha: enquanto crescemos apenas 2,7 vezes neste período, o Chile e os EUA mais do que triplicaram (3,6 vezes), a Malásia cresceu 7 vezes e meia, o México 9 vezes e a Coréia do Sul decuplicou suas exportações, passando de 17 para 173 bilhões de dólares. Nós crescemos nosso valor de exportação de 20 para 55 bilhões de dólares, destas duas décadas.

Temos que quebrar paradigmas antigos que vêm nos mantendo presos a um passado colonial e ao saudosismo de nossos laços atlânticos, que nos ligam à Europa, à África e à costa leste das Américas Central e do Norte.
Precisamos conquistar o Oceano Pacífico e, por meio dele, bilhões de asiáticos, potenciais consumidores de nossos produtos, além de toda a costa oeste das Américas. A porta desta saída pacífica já está entreaberta, em parceria com nosso vizinho Peru e passa pelo corredor acreano. Espera-se para agosto de 2002, finalmente, o asfaltamento da Rodovia do Pacífico, a BR 317.
Já é tempo de deixarmos de negar o óbvio que representa a riqueza da Costa Oeste para nossa economia. Na ausência de uma vontade política mais decisiva por parte do governo federal, a iniciativa privada de brasileiros empreendedores do Mato Grosso, de Rondônia, do Acre e do Amazonas abriu e dinamizou o corredor de exportação combinando rodovia com hidrovia até chegar ao porto de Manaus, para daí ganhar o mundo. O resultado foi a redução significativa do frete e o barateamento dos produtos exportados, comparando-se com as habituais e viciadas saídas via Paraná, Espírito Santo, Rio e São Paulo.

Precisamos de Estadistas (assim, com E maiúsculo) que tenham coragem de quebrar o Paradigma do Atlântico e, dando meia-volta em seus campos de visão, repitam o que fizeram nossos paulistas bandeirantes, que desobedientes à coroa portuguesa rasgaram o Tratado de Tordesilhas e penetraram fundo em nossas matas e sertões. Em busca de riquezas, construíram o Brasil do Oeste, nos legando este imenso território, do qual tanto nos orgulhamos.
Carecemos de Estadistas que tenham a energia dos nordestinos que, em meados do século XIX, abandonaram o sertão e o litoral, aventurando-se pelos rios da Amazônia, entrando fundo em espaços desconhecidos pelo homem branco. Ao explorar o ouro-verde da borracha criaram riquezas e civilizações. Desafiando o "Bolivian Sindicate", formado por investidores ingleses, conquistaram as terras que deram origem ao nosso estado do Acre.
E é por meio do estado do Acre que será conquistada mais uma fronteira: a da exportação pelo Pacífico.

É preciso que os políticos dominantes do quadrilátero Brasília-Minas-São Paulo-Rio, de onde emanam as diretrizes do desenvolvimento brasileiro, ampliem suas visões estratégicas, incluindo toda esta pujante fronteira produtiva do Centro-Oeste e do Noroeste de nosso país. Neste novo cenário econômico internacional que emerge da crise recessiva mundial, temos que ter a coragem de bradar a plenos pulmões: EXPORTAR OU MORRER!" É neste contexto que o Acre, sim, este ainda tão esquecido estado brasileiro, irá desempenhar o papel proeminente de Portal das Exportações Brasileiras, via Oceano Pacífico.




 
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