[OPINIÃO]

1. DAVID LANDES E O HOMEM DE SILÍCIO


2. O LIVRO VIRTUAL, INTERATIVO E GRATUITO


3. CRIAR EMPREGO OU ESTIMULAR EMPREENDIMENTOS


4. EXPORTAR OU MORRER, A SAÍDA PELO PACÍFICO


5. A NOVA REVOLUÇÃO ACREANA


6. PSICOLOGIA E POLÍTICA









 

 

OPINIÃO


OPINIÃO 05 - A NOVA REVOLUÇÃO ACREANA

Ruy de A. Mattos
Psicólogo Organizacional e
Consultor de Empresas

O Acre nasceu sob a égide da coragem e do espírito aventureiro de nossos antepassados.
Em meados do século XIX, os nordestinos, contrariando o senso habitual que lhes indicava o rumo do sul, tomaram a direção do oeste, desbravando as florestas amazônicas. Após penetrarem nas chamadas "tierras no descubiertas" que os bolivianos entregaram ao domínio do capital internacional do Bolivian Sindicate, os acreanos fincaram pé, mesmo contra a falta de vontade do governo brasileiro de assumir aquele território virgem.
Associando a sagacidade e a energia do gaúcho Plácido de Castro com a grande coragem e determinação dos nordestinos, conquistamos e criamos o Acre, único estado que se tornou brasileiro por vontade própria.

Interpretando a epopéia acreana sob a ótica da moderna teoria empresarial, podemos dizer que a criação do Acre é um caso típico de espírito empreendedor coletivo. Superando as dificuldades da época, os perigos da região desconhecida, a escassez de recursos e a falta de vontade política, aqueles empreendedores abriram novos espaços de trabalho e geraram novas oportunidades de riqueza para o país.
Onde está este espírito empreendedor acreano?

Nossos empresários contemporâneos acomodaram-se sob as asas benfazejas do governo, ou estão a esperar, em berço esplêndido, por melhores condições para investir em novas frentes de trabalho, em novas tecnologias, em novos produtos?
Até quando esta atitude passiva ou reativa que nos tem transformado em pedintes do governo federal inibirá nosso espírito empreendedor?
Até quando o conforto da segurança dos empregos públicos nos deixará acomodados e medrosos diante dos desafios que o futuro nos apresenta?
Estamos no limiar de uma grande mudança na história do Acre, com a abertura da rodovia do pacífico. Com ela poderemos contribuir, de modo marcante, na cruzada brasileira de exportação. O enorme potencial econômico que a saída pelo Pacífico representa para o Brasil ainda não tem sido bem dimensionado, nem tampouco percebido com clareza.

Saberemos lidar com os ciúmes que esta nova abertura dos portos produzirá em nossos irmãos do sudeste? Não vamos continuar nos iludindo. Os constantes atrasos na construção da BR 317 e a desatenção para com a BR 364 têm refletido, ao longo do tempo, a falta de prioridade de nossos governantes e políticos do sudeste, para com os destinos desta nossa região noroeste. Refletem, também um viés estratégico equivocado que fez do Atlântico a única fronteira para nossas exportações. Quanta ignorância deixar de lado bilhões de asiáticos, toda a costa oeste das Américas, Austrália, Oceania relegados ao segundo plano no jogo do comércio internacional!

Quanta miopia em não ver a posição estratégica do Acre neste novo cenário internacional!
Basta olhar para o mapa da América do Sul para ver que nosso Acre é um estado incrustado na região do pacífico. Nos separa daquele oceano apenas algumas centenas de quilômetros, enquanto precisamos percorrer o triplo desta distância para chegar aos portos do sudeste.
Em definitivo, o Acre é o portal natural para a exportação de nossos produtos para os países banhados pelo Oceano Pacífico. Utilizar esta via de escoamento representará uma redução significativa no valor do frete de nossas mercadorias, um fator cada vez mais significativo na definição de seu preço final. Outro ganho muito importante é o encurtamento das viagens marítimas, pois se evita o longo percurso que representa sair de Paranaguá ou de Santos, subir o Atlântico para cruzar o Canal do Panamá ou rodear a África para chegar à Ásia.

Nossos empresários e políticos precisarão exercitar o pensamento estratégico e construir alianças e parcerias que viabilizem novos negócios nos diversos campos criados pela estrada do Pacífico. Um celeiro de oportunidades avizinha-se do Acre: novos negócios na área de transportes, de combustíveis, de mecânica pesada, de alimentos, sem falar no efeito alavancador que uma estrada internacional como esta trará a todos os setores industriais, comerciais e de serviços de nosso estado.
Já é tempo de limpar o limo de nossas engrenagens produtivas, acomodadas no extrativismo naturalista de nossa floresta e na exploração predatória da pecuária bovina, ocupações de baixa produtividade e tíbios resultados econômicos.

Precisamos nos organizar para uma nova revolução acreana! Uma revolução cultural, que mude a mentalidade empresarial de nossa gente.
Não nos esqueçamos da triste lição que aprendemos com os britânicos que, associados aos malásios e outros países, tiraram de nossas mãos a riqueza produzida pela seringueira, abalando seriamente nossa economia durante todo este século passado. Mas, não adianta chorar sobre o látex derramado!

Vamos mirar os novos horizontes que se delineiam e buscar, em nosso íntimo, o vigor empreendedor de nossos antepassados para construir um novo Acre.
Vamos criar novos empreendimentos na esteira da internacionalização, tomando-lhes as rédeas, antes que fiquemos reféns de interesses de empresários de outras regiões ou de outros países.

 



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